Reprogramando…

Li no livro de Nuno Cobra (que Valmir, meu irmão, me deu de presente, entre outros tantos bons livros que compartilhamos) que o cérebro é burro, acho que é sim… as vezes construímos ideias na cabeça e passamos anos acreditando que são verdades… quando era criança eu acreditava que era inferior aos outros, não sei bem quando começou… talvez na escola, pois na Rua das Rosas me sentia bem comigo e com os outros.

Talvez seja pelo autoritarísmo educacional da época, pela chatice da escola, sei lá… sei que na classe comecei a ficar cada vez mais calado…

Achava que era eu quem tinha um problema, hoje penso que era a sociedade e as pessoas com suas meias verdades… me faziam acreditar que uma pessoa com mais idade sabe mais que uma com menos… que uma pessoa com mais dinheiro vale mais que outra com menos…

A perspectiva de me achar menos me fez pensar que podia ser mais… e acabei criando mecanismos para convencer aos outros e a mim mesmo que era mais do que eu mesmo (foram muitas sessões com o Sady Carnot para chegar a estas conclusões).

Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe..(dizia Almir Sater)… mesmo constatanto que nada adianta eu saber disso (quem faz terapia sabe)… pois o burrão do meu cérebro foi programado e é difícil convencê-lo do contrário… parece que a gente vai aprendendo a lidar com nosso jeito… no meu caso o mais difícil é lidar com o mundo externo… o interno é bába…

Demos saída da Argentina, carimbamos passaporte, pegamos o Buquebus em Buenos Aires (passagem mais cara que deveria), por prevenção tomamos um comprimido para não enjoar (devido experiências traumáticas de outra viagem) e ficamos com sono a viagem inteira. Era um barco grande, bonito, com loja de venda de eletrônicos e bebidas e perfumes… a melhor parte foi a exibição de um músico a bordo… muito bom.

Chegamos ao Uruguay, trocamos o peso  Argentino (que para facilitar nossas contas calculavamos 2 x 1) pelo peso uruguaio (que passamos a calcular em 10 x 1). Pedalamos até uma hospedagem coletiva próxima, com reserva já programada do outro Hosteling de Buenos Aires. O Hosteling El Viajero era muito bom… quarto de casas com uma árvore cheia de flores… Lá conhecêmos um casal, Marcela e Pablo que trabalha na Fundação Perseu Abramo… conversamos sobre política e sociedade… eles são de Santa Fé na Argentina… Marcela fez curso de português… ela treinava o português e nós o espanhol… uma coisa que percebemos é que falar em espanhol é mais um jeito de falar do que só as palavras…

A cidade Colônia de Sacramento é muito bonita… foi colônia de Portugal, por isso a arquitetura local lembra algumas cidades do Brasil, como Parati… muita gente visitando… o por-do-sol no rio La Plata é paralizante…

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