Uma noite tranquila

Essa noite de Camping foi tranquila, vizinhos silenciosos, ficamos acampados em frente o campo de futebol do clube. O lugar era um clube transformado em Camping. Conversando com os vizinhos, nos disseram que todos os anos acampavam naquele local, sempre na mesma árvore. Nos adaptamos bem à barraca, apesar de pequena, deixávamos os alforjes nas bikes, a noite esfriava um pouco, as vezes puxávamos o saco de dormir pra cima do corpo e logo esquentava.

Acordamos, fizemos leite em pó no fogareiro, estendemos a canga, no papel mesa de café da manhã, nos ajeitamos e saímos de bike pra conhecer a cidade. A praia era de um colorido mágico, o céu muito azul, havia muitas pedras, se estivéssemos de carro, certamente levaria um saco de pedras pra casa, mas pegamos umas poucas que agora decoram o jardim com outras companheiras de viajem.

Descemos com a bike por uma rampa que descia até o nível do mar (isso é que é inclusão), o sol estava quente, mas a água era puro gelo… entramos na água… apesar da grande quantidade de águas-vivas… até Ana Célia criou coragem e mergulhou.

Estar de bike sempre aproxima as pessoas, viam nossas bicis tomando um sol na areia e sempre perguntavam algo. Um homem, Juan, que estava na praia com a família começou a conversar conosco, ele pedalava e perguntou se amanhã podia ir com a gente para Punta del Leste. Marcamos para as oito e meia da manhã, mas avisamos que desmontar a barraca e arrumar tudo demorava um bocado.

Pedalamos pela orla, procuramos um bom lugar para almoçar, passamos por um centro turístico para ver a programação local… pensamos em ir a um show no Hotel Argentino, as oito da noite, mas oito da noite aqui é dia… não conseguimos ir… a tardezinha voltamos pro camping, tomamos banho e saímos para procurar um lugar para comer algo.

Senhora Tempestade!

8° Dia: De Montevidéo a Piriápolis – 100 km 

11/01/11 – Terça-feira

Nossa estadia no Hostel Unplugged foi muito boa, embora tenhamos ficado separados (primeiro em quartos depois em camas) e das instalações serem bastante simples, o bom atendimento fez toda a diferença. Os funcionários muito integrados e disponíveis. Uma moça sorridente sempre com todas as informações que a gente precisava em mãos, um rapaz que se esforçou a conseguir uma reserva pra gente em Punta Del´Este, e por último nosso café da manhã fora do horário, porque sairíamos bem cedo, com nossas coisas já arrumadas nas bicicletas que puderam ficar seguramente instaladas na recepção.

Hasta luego Montevidéo!

A bonita orla foi nos retirando da cidade rapidamente, a temperatura estava agrável e pela manhã não venta tanto, assim aproveitamos pra pedalar bastante, sem muitas fotos, o dia prometia ser bantante longo…

1a Parada para o lanche

 Não demorou muito e chegamos a Atlântida, e foi fácil localizar o Supermercadoshopping que Fernando Palombo havia nos indicado. Deixamos as bicicletas mui bem estacionadas no bicicletário local, milhares de outras bicicletas também estavam por lá, você para a bike e uma moça a tranca com a corrente do local e te dá o número correspondente, me pareceu muito seguro também.

Bicicletário no Supermercado Tienda Inglesa, em Atlântida.

Até ali tínhamos pedalado 50 km, entrando na vila, há indicação de camping, hospedagem e alimentação. Poderíamos (e deveríamos) ter ficado por ali, mas como estávamos adiantados na hora e tínhamos nos preparado pra chegar em Piriápolis, seguimos viagem. Depois do almoço, sequer um cochilinho embaixo da árvore…

Dali pra frente, fomos o tempo todo por estrada. Teve uma hora que parecíamos brincar com um ônibus de viagem: íamos a mesma velocidade que ele, parado num ponto, o ultrapassávamos, em seguida na estrada ele nos passava pra ser alcançado logo no próximo ponto. Acho que os mochileiros ainda não descobriram a bicicleta…

Os primeiros pingos de chuva nos fizeram procurar um abrigo pra por as capas nos alforjes, e já nos avisavam do que estava por vir… mais pra frente eu também tive que por a capa pois já estava ficando com frio.

Avistamos uma grande chuvarada e fomos entrando por ela. 3 meninas corriam na chuva, tagarelando e rindo, e nos abrigamos em um ponto, com mais um policial pra esperar a chuva amenizar.

Amenizou um pouquinho e a cara do tempo indicava que a chuva duraria a tarde inteira, não adiantava esperar e seguimos.

Pedalamos mais um pouco e novamente avistamos outra chuva, continuamos pedalando em direção à ela. Aí o bicho pegou.

A chuva virou tempestade e era impossível pedalar contra ela, ainda tentamos revesar na dianteira, mas o Flávio me passou e eu fui ficando ao que tive que acelerar um pouquinho pra dizer: “eu não consigo respirar!”, claro que a frase foi repetida pelo resto da viagem pra me sacanear, mas era verdade! O vento era tanto e tanto era a chuva, que olhando pra frente parecia que eu ia me afogar! Tínhamos que ficar olhando pra trás até pra conversar, e vimos que também os carros haviam parado…

Não havia o que fazer e Flávio sugeriu que eu registrasse o momento com minha distinta câmera, mas fica pra próxima… (espero que não!) Ficamos com medo e também tivemos uma crise de riso, era meio tragicômico mesmo. Decidimos sair do asfalto pra evitar um acidente, encostamos as bikes em um poste e de longe ouvimos um raio, um raio! Aí sim a coisa ia ficar feia, nos afastamos das bicicletas e ficamos no meio da grama tentando lembrar o que era indicado praquelas situações, pensamos em nos agachar, em pedir pra entrar em um carro… então pedi pra Senhora Tempestade que nos deixasse passar, ao menos que amenizasse um pouquinho… pedido aceito. Pegamos as bicicletas e seguimos ainda com chuva.

As Tempestades são diferentes das máquinas de lavar, elas primeiro centrifugam pra depois lavar. Mas passada a chuva, para de ventar.

Aproveitamos então pra apertar o pedal, mas só de leve pois já estávamos ficando cansados. O dia foi daqueles meio infinitos, demorou mas novamente chegamos em lugares mais habitados. Passamos pela bonita Solis e em Bella Vista tentamos filmar um pouquinho a paisagem, mas que nada, o dia era de chuva mesmo.

Chegamos já meio mortos em Piriápolis, com nossos computadores de bordo marcando uma pequena passagem dos 100 km (novo récorde!). Sentamos um pouco pra acalmar a musculatura, ou talvez não cair, é engraçado que quando você chega, o corpo relaxa e só quer descansar. Mesmo assim fomos a um posto e tentamos ligar no camping que também tínhamos indicação. No posto encontramos duas Senhoras viajando de moto. Maior barato, elas também estavam percorrendo o litoral e sempre ficavam acampadas. Elas foram pro Camping Piriápolis, próximo à Rodoviária, nós comemos o lanche que carregávamos, melhoramos um pouco o ânimo e também fomos ao camping próximo a Rodoviária, deixando o outro com piscina pra lá.

Eu queria apenas montar a barraca e cair pra dentro, sem banho ou mesmo sem jantar, achamos um canto bem tranquilo. Mas o dever me chamava e executei as tarefas noturnas meio como zumbi. Na padaria ainda perguntei pro rapaz se o pãozinho tava fresco, “tá sim óh! Pode provar!” (em espanhol é claro). Ok, agora já posso capotar…

E lá se vai mais um dia….

7° Dia: 10/01/11 – Montevidéo

Pela manhã fomos a uma lavanderia próxima e deixamos as roupas para lavar… depois fomos até um mecânico, que conserta as bikes do hostel. Ele fez uma regulagem geral nos freios e câmbios, verificou que meu freio estava prendendo um pouco… fiquei torcendo que melhore para pedalar. Ele nos contou que muitos jovens estão deixando o Uruguai, em busca de empregos, que o país está com poucos habitantes.

Passeamos por Montevidéo, de bici, por uma ciclovia na beira mar… fomos ao centro velho… repleto de construções antigas… que decoram cartões postais e mapas. Na Praça Zabala deixamos as bikes para tirar umas fotos e de repente uma rajada de vento jogou as duas no chão. O tombo entortou uma peça na bicicleta de Ana Célia, que fazia com que algumas marchas não entrassem.

Fomos ao Museu de Arte Precolombino e Indígena, um prédio restaurado, mui rico. No Mercado del Puerto, fomos disputados por garçons afoitos por novos clientes para almoçar, mas almoçamos em um logo na porta, que concordou que deixássemos as bikes em frente ao restaurante, se… almoçássemos lá, claro. Um dos garçons nos contou a história do mercado, disse que toda construção, em ferro, ia para a Argentina, que o navio encalhou naquela praia e acabaram deixando a construção ali mesmo. Ele sorriu e disse que, por sorte, “sacaniaram os argentinos”.

Passeamos pelo calçadão, sacamos una foeto em frente ao Portal da cidade, alguém nos disse que, antigamente, a cidade era do portal ao mercado.

Andamos pelas ruas e voltamos ao mecânico, que na morsa desentortou a peça da bike da Aninha.

A cidade é muito bonita… algumas coisas chamaram a atenção: existe uma quantidade imensa de carros antigos, (me lembrou o Brasil de alguns anos atrás, quando era difícil comprar um carro, e fazíamos funilaria, pintura), alguns jovens ainda usam aqueles rádios grandes e a pilha para ouvir música e no mercado encontramos despertador para vender e também máquinas fotográficas com filme. Parece um pouco uma viagem a um passado recente…

Montevidéo…

Depois de superar a dor no bolso, passamos a desfrutar da estadia. Acordamos no limite do tempo para tomarmos café, já com vistas à grande cidade…

A cidade se apresentando.

Quando viajamos de bicicleta, as mudanças acontecem no rítimo dos pedais, de uma paisagem pra outra, você mira um ponto lá na frente e devagarzinho ve ele se aproximando, em especial no Uruguai, onde não há descidas.

O que levaríamos um dia inteiro pra percorrer, fizemos em uma hora. Não estava nos planos pegar ônibus tão cedo na viagem mas essa é sempre uma possibilidade, uma vantagem pra quem viaja de bicicleta. Foi pena não conhecer Liberdad, mas essas coisas acontecem pra quem quer viajar ao sabor dos ventos… no fim, como já estavamos nos dirigindo à Polícia, até que não ficamos mal.

Desocupamos o quarto e pedimos pra ficar no salão do hotel utilizando a internet. Mais uma vez todos muito simpáticos conosco.

Procurando outro lugar pra ficar

Miramos um Hostel próximo da praia e lá fomos nós. A cidade vazia de domingo nos fez deslizar tranqüilamente pelas ruas. Com o auxílio do GPS rapidinho estávamos a frente do Hostel Unplugged, no bairro Pocitos. Pra nossa sorte, haviam 2 vagas, em quartos coletivos e separados…

Ok, nossa primeira experiência em Hostel, fomos conhecer os novos “vizinhos”. O rapaz indicou que Flávio colocasse suas coisas num quarto que estava vazio e eu fui encaminhada a outro, onde todos dormiam. 3 brasileños descansando da noitada.

São de Guarulhos e ficamos conversando sobre nossas viagens. Estavam já a alguns dias em Montevidéo, preferem ficar em uma mesma cidade e conhecer a rotina local. De lá iriam no dia seguinte para Buenos Aires e ainda queriam ir pra Santiago, no Chile. O 3° não saiu na foto pois ainda tava se ajeitando…

Esse foi um dia de tranquilidade total, deixamos as coisas no Hostel e fomos almoçar. Depois demos uma olhada nas bicicletas e desistimos de regular os câmbios (eu desisti, não sei o que acontece mas o Flávio sempre consegue regular o dele, mas não o meu, e eu, não consigo regular nenhum…), fomos ao mercado fazer umas comprinhas e depois fomos praiar.

Ele nem gostou...

A cidade é linda e as ruas estavam vazias, deve ser porque todos estavam na praia. Os Uruguaios estão todo prosas com o futebol, e quando possível ainda nos dão uma “zuada” por aquela Copa lá atrás que agente já esqueceu. Todo mundo leva uma bola pra praia, milhares de crianças, idosos, famílias inteiras. Uma bela arena de arquibancadas cheias se preparava para um início de campeonato de futebol. Os garotos deviam ter uns 10 anos no máximo, tava bonito de ver. Quem não tava por lá estava na parte mais nervosa da água. É impressionante o apreço das crianças por aventura, e pareciam estar “nem aí” pra água gelada que eu não ousava colocar meus dedinhos…

À noite descobrimos que foi bom chegar logo a Montevidéo, um telefonema estranho tinha deixado meus familiares preocupados. Com o adiantado da viagem pudemos deixá-los tranqüilos também.

Papeamos em bom portunhol, jantamos no hostel e dormimos após termos que trocar de quarto novamente…

Ehhh Blancarena

Por mim ficava mais um dia… mas Ana Célia estava ansiosa para continuarmos… ao final, nem ficamos, nem partimos… passamos a manhã toda acordando, guardando as coisas, nos despedindo dos vizinhos… só um dia e uma noite e fizemos vários amigos. Todos muito hospitaleiros. Um menino sempre que nos via, dizia: Viajam de bicicleta? Outra vez pedia para que falasse-mos em português e fazia cara de confuso. Conhecemos Omar Morales e Marta Blum, um casal que morava em uma cidadezinha próxima; Tereza que nos levou um postre uruguajo, nos emprestou um guia e deu boas dicas de viagem, e, também o casal Marcos e sua companheira (o nome deles se perdeu na chuva, mais essa é outra estória).

Saímos do Camping ao final da manhã, pensando em almoçar na próxima praia, Los Pinos, seguimos o GPS (do Adilson)… não sei o que seria de nós sem ele… almoçamos mais um asado (a carne é muito boa), uma pilsem (esse negócio de cerveja de 1 litro é tudo de bom).

Quando saímos para pedalar, já eram quase 17h, mas, pensamos nós, o sol se põe as 21h… ia dar tempo de chegar a Libertad ou na cidadezinha antes…

O dia estava quente, o vento forte contra nós, parecia uma eterna subida… a paisagem é muito linda… uma planície interminável… uma longa estrada… a perder de vista… o sol estava tão inclinado que nossa sombra se esticou até o outro lado da pista… um por do sol inesquecível…

Mas o dia se passou… e nada de cidade… o problema é que o GPS nos marcava a quilometragem em linha reta e isso dá diferença… a cidade nunca chegava… chegamos a um vilarejo e vimos na beira da estrada um bar com alguns homens conversando. Ana perguntou se havia algum lugar para se hospedar e nada, só depois de uns 15 quilômetros, perguntou se havia alguém que pudesse nos levar para a cidade, mas também não tinha ninguém, ai ele falou que às 21h30 passava um ônibus que ia até Libertad, era 21h25... Ana perguntou se o homem podia nos ajudar e ele nos acompanhou até o ponto e esperou o ônibus conosco. Mal chegamos ao ponto, o ônibus parou e desceu um rapaz… falamos de nossa falta de onde ficar e perguntamos se dava pra viajar com as bikes. O homem falou vamos lá… colocamos as bicis do jeito que estavam, com alforjes, lanternas e faróis acesos, não sei como entrou em la bodega… O ônibus ia para Montevideo… não tivemos dúvida…

Chegamos em Montevideo a meia-noite… jantamos na rodoviária, com as bikes ao lado da mesa… quando apareceu Fernando Palombo do site http://www.urubike.com, ciclista da bicicletada da cidade, (Ana Célia já conhecia o site) ele nos deu boas dicas e um bom papo…

Saímos da rodoviária e procuramos por algum hotel. O garçom nos recomendou o Hotel Três Cruzes, na rua de cima, mas não havia vagas; fomos para outro bem pequeno e não havia vaga… então fomos para o hotel mais caro nas proximidades Hotel Day In, luxo e riqueza… com a diária daria para acampar um ano em Blancarena.

Nada mal… um presente para nossas costas… um bom banho… uma cama… só faltou o rodizio de travesseiros.

Levantar âncoras, hastiar bandeiras!

4° Dia: 07/01/11 – De Colonia del Sacramento até Blancarena – 70 km

“O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa. Sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem” Guimarães Rosa

Saindo do Hostel El Viajero em Colonia del Sacramento

Como já deu pra ver, pra gente, viagens “externas” são sempre “internas” também… por um lado, acho que isso vai ser bom um dia, o processo de autoconhecimento e esses papos, mas por enquanto às vezes é meio doloroso e chato.

Percebi que não poderia fazer qualquer tipo de viagem depois de uma viagem que fizemos à Bahia. Fomos a Salvador com mais uma amiga pra participar de uma Conferência Mundial do Serviço Social, Flávio foi a tira colo pois depois queríamos dar uma esticada… depois de dias de palestras catastróficas saímos da desigual Salvador, maior cidade negra fora da África, com um Pelourinho que nos remonta a escravidão, em direção à Morro de São Paulo, uma ilha paradisíaca a 4h de lá… e foi triste. Só haviam extrangeiros por lá, italianos, franceses e toda espécie de europeus e, trabalhando, estavam os negros sadíos (os “doentes” ficaram lá no Pelourinho), pronto, de novo havíamos voltado a escravidão e continuávamos a ser colônia…

A conversa com Marcela e Pablo na noite anterior foi altamente revigorante e muito prazerosa. Pudemos relembrar um pouco o que também estávamos fazendo ali: conhecendo a nossa Maiúscula América, como nos disse Che, com suas riquezas e pobrezas, com seus problemas, passado e sonhos comuns, o que nos faz Terras Hermanas…

Acordamos tranquilos, sem despertador, e tomamos café ao som de Chico Boarque, nos despedimos e partimos pro nosso, finalmente, primeiro dia de pedal. Já sabíamos também que pedalar nos faria um grande bem, e assim foi. Um dia de vento à favor, quanta alegria! E um início de pedal por um ótimo acostamento e ainda mais na sombra…

Sombra e vento fresco

Mas a pedalada era longa e não tardou pro sol nos dizer por que merece um lugar na bandeira Uruguaia, nos deixando marcas…

Já próximo a Blancarena, paramos em um restaurante pra almoçar, comida boa e bom atendimento, mas o melhor foi depois, atrás do restaurante havia um bonito gramado e uma grande árvore pra acobertar nosso soninho pós almoço…

Depois da cochilada o sol até já havia dado uma tregua e assim rumamos sentido Blancarena, saindo da estrada principal.

"Em suma, tanto naquelas leituras se enfrascou, que passava as noites de claro em claro e os dias de escuro em escuro, e assim, do pouco dormir e do muito ler, se lhe secou o cérebro, de maneira que chegou a perder o juízo." Cervantes

Chegamos em Blancarena e antes de qualquer coisa “corremos” pra ver o mar (que na verdade é o Rio La Plata…), encontasmos as bicicletas em uma árvore e molhamos nossos pezinhos em uma água morna que tava uma delícia! Daí corremos novamente para nos instalarmos no único camping do local. Chegando lá uma mulher mal encarada (uma das poucas pessoas mal encaradas que cruzamos na viagem) nos informou que não haviam vagas! Dissemos que estávamos de bicicleta e que nossa barraca era bem pequenininha ao que ela nos fez esperar mais de hora por uma outra pessoa que poderia resolver nossa situação, mas ela até achava que poderíamos ficar…

Flávio aguardando a boa vontade da mal encarada...

Conseguimos nos bem instalar no camping e ainda deu tempo de dar um mergulho no mar de rio de águas já não tão mornas assim…

Os Uruguaios tem campings mais organizados que os nossos conhecidos no Brasil, com espaços determinados pra cada um

A noite preparamos nossa refeição e erramos na dose do arroz, sendo assim, pudemos presentear nossos vizinhos com um pouco do tempero brasileño.

Tranqüilidade total para dormir no camping, até os carros são proibidos de circular das 12h da noite as 7h da manhã, uma maravilha…