Senhora Tempestade!

8° Dia: De Montevidéo a Piriápolis – 100 km 

11/01/11 – Terça-feira

Nossa estadia no Hostel Unplugged foi muito boa, embora tenhamos ficado separados (primeiro em quartos depois em camas) e das instalações serem bastante simples, o bom atendimento fez toda a diferença. Os funcionários muito integrados e disponíveis. Uma moça sorridente sempre com todas as informações que a gente precisava em mãos, um rapaz que se esforçou a conseguir uma reserva pra gente em Punta Del´Este, e por último nosso café da manhã fora do horário, porque sairíamos bem cedo, com nossas coisas já arrumadas nas bicicletas que puderam ficar seguramente instaladas na recepção.

Hasta luego Montevidéo!

A bonita orla foi nos retirando da cidade rapidamente, a temperatura estava agrável e pela manhã não venta tanto, assim aproveitamos pra pedalar bastante, sem muitas fotos, o dia prometia ser bantante longo…

1a Parada para o lanche

 Não demorou muito e chegamos a Atlântida, e foi fácil localizar o Supermercadoshopping que Fernando Palombo havia nos indicado. Deixamos as bicicletas mui bem estacionadas no bicicletário local, milhares de outras bicicletas também estavam por lá, você para a bike e uma moça a tranca com a corrente do local e te dá o número correspondente, me pareceu muito seguro também.

Bicicletário no Supermercado Tienda Inglesa, em Atlântida.

Até ali tínhamos pedalado 50 km, entrando na vila, há indicação de camping, hospedagem e alimentação. Poderíamos (e deveríamos) ter ficado por ali, mas como estávamos adiantados na hora e tínhamos nos preparado pra chegar em Piriápolis, seguimos viagem. Depois do almoço, sequer um cochilinho embaixo da árvore…

Dali pra frente, fomos o tempo todo por estrada. Teve uma hora que parecíamos brincar com um ônibus de viagem: íamos a mesma velocidade que ele, parado num ponto, o ultrapassávamos, em seguida na estrada ele nos passava pra ser alcançado logo no próximo ponto. Acho que os mochileiros ainda não descobriram a bicicleta…

Os primeiros pingos de chuva nos fizeram procurar um abrigo pra por as capas nos alforjes, e já nos avisavam do que estava por vir… mais pra frente eu também tive que por a capa pois já estava ficando com frio.

Avistamos uma grande chuvarada e fomos entrando por ela. 3 meninas corriam na chuva, tagarelando e rindo, e nos abrigamos em um ponto, com mais um policial pra esperar a chuva amenizar.

Amenizou um pouquinho e a cara do tempo indicava que a chuva duraria a tarde inteira, não adiantava esperar e seguimos.

Pedalamos mais um pouco e novamente avistamos outra chuva, continuamos pedalando em direção à ela. Aí o bicho pegou.

A chuva virou tempestade e era impossível pedalar contra ela, ainda tentamos revesar na dianteira, mas o Flávio me passou e eu fui ficando ao que tive que acelerar um pouquinho pra dizer: “eu não consigo respirar!”, claro que a frase foi repetida pelo resto da viagem pra me sacanear, mas era verdade! O vento era tanto e tanto era a chuva, que olhando pra frente parecia que eu ia me afogar! Tínhamos que ficar olhando pra trás até pra conversar, e vimos que também os carros haviam parado…

Não havia o que fazer e Flávio sugeriu que eu registrasse o momento com minha distinta câmera, mas fica pra próxima… (espero que não!) Ficamos com medo e também tivemos uma crise de riso, era meio tragicômico mesmo. Decidimos sair do asfalto pra evitar um acidente, encostamos as bikes em um poste e de longe ouvimos um raio, um raio! Aí sim a coisa ia ficar feia, nos afastamos das bicicletas e ficamos no meio da grama tentando lembrar o que era indicado praquelas situações, pensamos em nos agachar, em pedir pra entrar em um carro… então pedi pra Senhora Tempestade que nos deixasse passar, ao menos que amenizasse um pouquinho… pedido aceito. Pegamos as bicicletas e seguimos ainda com chuva.

As Tempestades são diferentes das máquinas de lavar, elas primeiro centrifugam pra depois lavar. Mas passada a chuva, para de ventar.

Aproveitamos então pra apertar o pedal, mas só de leve pois já estávamos ficando cansados. O dia foi daqueles meio infinitos, demorou mas novamente chegamos em lugares mais habitados. Passamos pela bonita Solis e em Bella Vista tentamos filmar um pouquinho a paisagem, mas que nada, o dia era de chuva mesmo.

Chegamos já meio mortos em Piriápolis, com nossos computadores de bordo marcando uma pequena passagem dos 100 km (novo récorde!). Sentamos um pouco pra acalmar a musculatura, ou talvez não cair, é engraçado que quando você chega, o corpo relaxa e só quer descansar. Mesmo assim fomos a um posto e tentamos ligar no camping que também tínhamos indicação. No posto encontramos duas Senhoras viajando de moto. Maior barato, elas também estavam percorrendo o litoral e sempre ficavam acampadas. Elas foram pro Camping Piriápolis, próximo à Rodoviária, nós comemos o lanche que carregávamos, melhoramos um pouco o ânimo e também fomos ao camping próximo a Rodoviária, deixando o outro com piscina pra lá.

Eu queria apenas montar a barraca e cair pra dentro, sem banho ou mesmo sem jantar, achamos um canto bem tranquilo. Mas o dever me chamava e executei as tarefas noturnas meio como zumbi. Na padaria ainda perguntei pro rapaz se o pãozinho tava fresco, “tá sim óh! Pode provar!” (em espanhol é claro). Ok, agora já posso capotar…

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