Nem tudo são flores.

A nossa idéia era seguir viagem nesse dia, mas a tempestade do dia anterior nos deixou receosos de pegá-la mais uma vez na estrada. A bagunça da noite também nos fez deixar o corpo nos acordar, sem despertador.

Acordamos tarde e o sol anunciou que erramos na previsão do tempo. Que fazer então? Ir a praia claro! Mas antes, já que ficaríamos mais uma noite por ali, deixamos a roupa pra lavar com o rapaz dono do hostel…

A praia já não estava tão fria como no dia anterior.

Quando voltamos ao camping presenciamos a tragicomédia da viagem, parecia uma daquelas pegadinhas do “malandro”. Havia um monte de roupas espalhadas pelos varáis, sem prendedor, e algumas até pelo chão. Aos poucos fomos percebendo que nossas roupas também estavam por ali! Quase não acreditamos, e ainda pagamos por isso! Mais caro que em Montevidéo… Fiquei muito ferrada, saímos pegando nossas coisas e colocamos no nosso varal, nem sabia o que fazer… elas estavam mais sujas do que quando as deixamos pra lavar, me deu a impressão que fizeram com elas o que o Sr. Madruga fez com as roupas da D. Clotilde, pensando ser com as de D. Florinda. (En Español!!! Inédito!!!)

Fomos relavar as roupas nas torneiras do banheiro. Encontramos com o infeliz rapaz do hostel e dissemos que aquilo não se fazia, ao que nos pediu desculpas e disse não saber o que havia ocorrido, e que nos devolveria o dinheiro, mas não vimos mais a cor dele (dinheiro). Não era pelo dinheiro que ficamos chateados. Uma pena, pois nossa estadia até que estava bacana no local.

Fizemos um esforço pra que essa chateação não atrapalhasse nosso passeio, e conseguimos dormir felizes por poder buscar outra estadia no dia seguinte…

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La Pedrera

Nosso melhor pedal… as cidades eram vizinhas… cerca de 10 quilometros… não deu tempo nem de doer a bunda…

As cidades eram parecidas (como são parecidas todas as cidades), mas nessa havia um clima de sociedade hippie, muita gente, ruas pequenas, malabares, colares e contas, ruas de areia, poucas construções, e, muita gente… procuramos por um lugar pra ficar… tudo cheio… procuramos pelos albergues da juventude e pelas placas chegamos a um hosteling alternativo, ainda não cadastrado oficialmente. Também estava cheio, mas podia acampar, ficamos.

Procuramos por um lugar para montar a barraca… depois saímos pra conhecer a praia. Lugar lindo…

 

Fomos a praia, mas estava frio, o vento gelado, o mar nem se fala, na rua principal procuramos por doces e chegamos a uma padaria, onde Ana pode suprir a crise de abstinência de chocolate…

Fomos pra barraca, pensando em ir embora o dia seguinte, mas no início da noite ouvimos música boa, parecia um reggae, saímos da barraca e tinha um luau pronto… um grupo se preparando pra cantar, uns troncos pra sentar, nos ageitamos pra noite… Ana falou que ia na barraca buscar a câmera e volta desesperada, o tempo estava fechando e ia chover… nunca vimos nada igual…  o vento chegou rápido, anunciando a tempestade… só deu tempo de colocar as coisas pra dentro da barraca e amarrar as bicicletas, um vento forte e a Senhora Tempestade deixou cair seus raios.

Correu todo mundo pra sala do hosteling, a energia elétrica acabou, ficamos a luz de lanterna, o grupo tocou algumas músicas no violão, uma delas sobre a favela, oferecida aos brasileiros presentes (nós) – “Abre as janelas da favela, você vai ver a beleza que tem dentro dela!”. Boas músicas. A chuva forte caindo. Depois que a chuva passou o grupo precisou ir embora, estávamos com fome, em frente ao hotel havia um restaurante, Ana já havia ido até lá, quando chegamos, para perguntar se havia vaga, estava cheio. Fomos perguntar sobre comida, era um restaurante italiano, a dona ficava seis meses no Uruguai e seis meses na Itália, nada de inverno, só o verão de cada continente. Ela servia uma série de entradas e pratos, falamos que queríamos apenas um prato e ela fez um preço especial pra nós. Foi nossa melhor refeição, sem falar no carinho do local. Fomos dormir, mas somente nós pensamos nisso, o restante do camping e hosteling continuou em festa a noite toda.

Sombra, água fresca, escorpiões…

Mais um dia lindo de sol que dedicaríamos pra conhecer La Paloma, cidade igualmente linda.

De cara fomos ao farol pra ter uma vista panorâmica da cidade.

Tinha que ter fôlego na subida...

Vista privilegiada

Lá de cima, miramos a praia à conhecer

Deixamos o farol e fomos nos refrescar nas geladas águas uruguaias, com direito a atendimento VIP: uma tenda vazia nos proporcionou uma deliciosa sombra. Estacionamos as bikes por ali, estendemos a canga e rapidinho eu já estava tirando uma pestana. Quando acordei o Flávio não estava por ali, em compensação eu estava cercada por uma galera que também veio curtir a sombra. Aprumei o foco e mirei o Flávio correndo na praia… que disposição! Eu queria era sombra mesmo, nem precisava da água fresca… e Flávio estava correndo porque tinha entrado na água e estava com frio, mesmo debaixo do solão, coisas de Uruguai…

Fiquei na prosa com um artesão que estava trabalhando por ali, logo sua companheira e filhos chegaram, vida simples e agradável, compartilhada em bom portunhol.

Almoçamos e voltamos ao camping pra tomar banho cedo e evitar as filas. No camping em La Paloma senti saudade dos banheiros da minha casa…

Quando saímos pra passear nas cidades, colocamos os alforjes dentro da barraca, e a noite eles dormem pra fora. Na noite anterior tivemos a visita de uma aranha bem grandinha que colocamos pra fora, além de uma faxina na barraca que seria pequena demais pra nós três… Mas qual não foi a surpresa do Flávio, quando amarrava sua bike ao lado de um tronco no chão, a avistar um escorpião?!?! ESCORPIÃO! Eu nunca tinha visto um pessoalmente, mas a reputação do mesmo não é nada boa…

Arrumei minhas coisas e fui tomar banho, e lá no banheiro um cadáver me assustou. Chamei uma moça e perguntei o que era: “um escorpião”, respondeu assim, sem mais nem menos, “e não é perigoso?” perguntei assustada frente a sua tranquilidade, “não, esses pretinhos não tem perigo, tem um monte deles por aqui!”. Encerramos a conversa sem que eu estivesse muito convencida…

À noite voltamos ao centro pra um lanchinho. Cidade tão cheia quanto cidade brasileira…