Punta Del Diablo

Saímos de Águas Dulces com dor no coração, de deixar a casa, ficamos até o último momento. Pedalamos preguiçosamente pelos 54 quilometros até Punta Del Diablo, durante todo percurso acompanhados pela Laguna Negra.

Chegamos na cidade com um céu azul turquesa, por uma estrada sinuosa com muitas casas ao redor. Procuramos por um lugar para ficar. Alguém nos disse que Punta Del Diablo era uma cidade tão badalada quanto Punta Del Este. Só que mais bonita, e, as casas também, lindos chalés por todos os lados. Encontramos um hosteling, auto intitulado international, tinha vagas, mas muito caro. Decidimos procurar mais um pouco, seguimos até próximo a praia. Os hotéis eram mais caros ainda. Perguntamos por um caixa eletrônico, no caminho passamos em frente o hosteling da Unplugged e revimos alguns conhecidos de Montivideo, conversamos um pouco e continuamos.

Encotramos o caixa ao lado de um lindo restaurante italiano. Na entrada do caixa encontramos com nossos amigos Bruce and Mary Lou, demos um abraço e alguns helloos, foi nosso último encontro. Sacamos peços uruguajos e fomos almoçar naquele lugar, duas moças muito simpáticas e sorridentes nos atenderam, uma comida deliciosa e um bom vinho, só para nós dois, não havia mais ninguém o local.

Voltamos ao primeiro hosteling e ficamos em um quarto coletivo com duas beliches, um casal usava as camas de baixo é ocupamos as de cima. Decidimos ir a pé até a praia, nos arrependemos, o sol estava quente e era um bocado longe. Mais valeu pelo visual.

Fomos até uma faixa de pedras mar a dentro, era a Punta del Diablo. Um monumento com estátua e tudo. Andamos pelas pedras e o vento levou o boné de Ana, que seguravá-o com a mão, por causa do vento. Mas conseguimos resgatá-lo entre as pedras.

Na praia sentamos na areia, dei aquele mergulho gelado e sentamos para ver um conjunto que tocava na praia.

Em casa tomamos um banho quente, quer dizer, eu tomei quente, Ana tomou banho frio, outra vez, fizemos a janta e fomos dormir.

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Ambiente Inteiro…

Quando Flávio diz no post anterior que “cozinhamos”, ele está sendo bastante gentil. A pedalada de La Pedrera à Águas Dulces foi bastante puxada. 50 km contra o vento é como pedalar por uma subida sem fim, e isso após 4 dias seguidos acampando fizeram minha barrinha de energia chegar no vermelho.

Por esse motivo capotei bem antes do jantar e só acordei quando o mesmo estava posto à mesa, com capricho de amor, feito à varanda.

Essa nossa estadia pedia um dia inteiro daqueles preguiçosos passados na cama, mas Cabo Polônio estava logo ali, irresistível. Me vesti como “cortadora de cana” e fomos procurar o ônibus que nos levaria ao local. A tática dos cortadores de cana é a melhor pra se proteger do sol, e esse último nos havia marcado com uns vermelhidões esquisitos pelas pernas.

Transporte apropriado pra se chegar até lá.

É impossível chegar até Cabo Polônio de carro, quiçá de bicicleta, o lugar é cercado por dunas e é esta proteção natural que mantém o local relativamente preservado.

Depois de chacualhar pra lá e pra cá chegamos ao vilarejo com cara de São Tomé das Letras em alta temporada. Não demos muita atenção pra nada e já corremos pra ver os famosos leões marinhos.

Mal saímos da muvuca e um lindo animal se refestelava nas pedras se insinuando aos visitantes. Cheguei perto, toda ansiosa, pra fazer logo uma foto ao lado do ilustre anfitrião, bem camuflado por ali.

De repente uma mulher chegou “brigando” comigo en español pra me afastar do animal. Pelo que entendi aquela era época de acasalamento e os machos estavam bastante desgostosos com todas aquelas presenças indesejadas em seu território. O que poderia ser perigoso para nós humanos, desejosos de recordações aventurescas.

Nos afastamos e procuramos outro local para observá-los, havia uma demarcação, não tão respeitada, com umas fitas nos indicando até onde poderíamos ir. Pudemos presenciar um verdadeiro espetáculo de um grande Leão Marinho, ao sol, culminando com um belo mergulho desajeitado…

Se preparando, v a g a r o s a m e n t e para o tibum

Almoçamos por ali, num restaurante bem caro e de comida ruim. Como, pra variar, o dia estava bastante quente, retornamos logo no primeiro horário da tarde (há horários determinados pra se ir e voltar).

Deixamos Cabo Polônio no local mais alto do caminhônibus, chacualhando ainda mais pra lá e pra cá. Vendo a linda praia ficando pra trás, me dava uma sensação estranha, sobre quem estava de fato em perigo, se eu, ou o Leão Marinho. É certo que a presença humana, com a “vitória” da cultura branca ocidental, tem desequilibrado o planeta e posto em risco todas as espécies, incluindo a nossa.

Aquele povoado, com todos aqueles visitantes, que precisam comer, beber, comprar, defecar e urinar, não parecia em harmonia com o local. É bastante provável que esta presença maciça, em especial na alta temporada não seja lá muito benéfica para os anfitriões leões… Uma pena, pois acredito que é imensamente importante para que preservemos, que conheçamos nosso planeta, que nos consideremos também parte dele, e que não cuspamos na casa que entramos a conhecer.

Cabo Polônio é um belo refúgio, que visitamos e saímos com a sensação: Puxa! Existem animais prá além do zoológico!

Em Águas Dulces mais um lindo Luar, pra nos colocar em nosso ínfimo, e ao mesmo tempo, tão importante quanto os outros, lugar no Planeta. Bom saber que Ele existe a muito, muito tempo anterior à nossa espécie, e que com certeza sabe o que fazer para se reequilibrar.

"Do Luar não há mais nada a dizer, a não ser que a gente precisa ver o Luar"

De repente, um presente…

Estrada

Saímos em direção a Águas Dulces, a estrada aberta em paisagens quentes e brilhantes, no caminho passamos na entrada de Cabo Polonio, cidade que deixaremos para amanhã, para apreciar com mais tempo, mas paramos no estacionamento de onde saem os caminhões para o parque e comemos um lanche.

Cabo Polonio

Pedalamos até Águas Dulces, uma vila na beira da praia, passamos por um camping, mas pensamos em procurar algum lugar melhor pra ficar. Logo que paramos as bicis demos de cara com Mary Louise e Bruce saindo de um restaurante, trocamos abraços e poucas palavras, nós falamos em espanhol e eles em inglês, sorrimos bastante, pelo que entendemos eles estavam hospedados num lugar chamado El Gato, um hotel de alemães que hospedava muitos europeus. Acho que disseram também que o hotel estava sem vagas, mas podia-se acampar no quintal. Nos despedimos e fomos procurar um lugar pra ficar.

Perguntamos pra um e pra outro e chegamos a um hotel, uma mulher nos informou que havia uma vaga para casal e também um pequeno quarto para alugar, mas o dono do hotel não estava e já havia outra pessoa interessada no quarto. Pegamos o telefone do dono do hotel e saímos procurando um lugar para almoçar.

Entramos num barzinho estiloso, de muito bom gosto, Ana foi ligar para o hotel enquanto a comida era preparada, voltou na hora certa, chegou junto com a porção. Depois da cerveja já me sentia bem melhor. Ana foi ver o hotel e era muito caro, o quarto na rua era pequeno e caro também.

Fomos até uma imobiliária e perguntamos sobre algum lugar para domirmos, um homem nos deu duas sugestões, a primeira era em um mercadinho ali na rua, fomos até lá e uma mulher nos falou que eles tinham um apartamento para laugar, perto dali, mostrou algumas fotos e era muito bonito. Fomos até lá  e era mesmo muito bonito, um local com vários chalés, de frente o mar.

Ficamos no quarto, resolvemos nos dar um presente de viagem. Fomos até a praia, entrei um pouco na água, que estava gelada como sempre. O vento na praia estava frio e voltamos pra casa.

Fui até o mercado e comprei alguma coisa pro jantar. Cozinhamos com nosso fogão de camping, na varanda pra não deixar cheiro de comida no quarto. Tinha TV com canal a cabo, passava até o SBT (que merda). Tinha uma ducha quente, mas a água acabava muito rápido.

Quando anoiteceu nasceu uma lua imensa em cima do mar.

Foi nossa melhor hospedagem…