Ambiente Inteiro…

Quando Flávio diz no post anterior que “cozinhamos”, ele está sendo bastante gentil. A pedalada de La Pedrera à Águas Dulces foi bastante puxada. 50 km contra o vento é como pedalar por uma subida sem fim, e isso após 4 dias seguidos acampando fizeram minha barrinha de energia chegar no vermelho.

Por esse motivo capotei bem antes do jantar e só acordei quando o mesmo estava posto à mesa, com capricho de amor, feito à varanda.

Essa nossa estadia pedia um dia inteiro daqueles preguiçosos passados na cama, mas Cabo Polônio estava logo ali, irresistível. Me vesti como “cortadora de cana” e fomos procurar o ônibus que nos levaria ao local. A tática dos cortadores de cana é a melhor pra se proteger do sol, e esse último nos havia marcado com uns vermelhidões esquisitos pelas pernas.

Transporte apropriado pra se chegar até lá.

É impossível chegar até Cabo Polônio de carro, quiçá de bicicleta, o lugar é cercado por dunas e é esta proteção natural que mantém o local relativamente preservado.

Depois de chacualhar pra lá e pra cá chegamos ao vilarejo com cara de São Tomé das Letras em alta temporada. Não demos muita atenção pra nada e já corremos pra ver os famosos leões marinhos.

Mal saímos da muvuca e um lindo animal se refestelava nas pedras se insinuando aos visitantes. Cheguei perto, toda ansiosa, pra fazer logo uma foto ao lado do ilustre anfitrião, bem camuflado por ali.

De repente uma mulher chegou “brigando” comigo en español pra me afastar do animal. Pelo que entendi aquela era época de acasalamento e os machos estavam bastante desgostosos com todas aquelas presenças indesejadas em seu território. O que poderia ser perigoso para nós humanos, desejosos de recordações aventurescas.

Nos afastamos e procuramos outro local para observá-los, havia uma demarcação, não tão respeitada, com umas fitas nos indicando até onde poderíamos ir. Pudemos presenciar um verdadeiro espetáculo de um grande Leão Marinho, ao sol, culminando com um belo mergulho desajeitado…

Se preparando, v a g a r o s a m e n t e para o tibum

Almoçamos por ali, num restaurante bem caro e de comida ruim. Como, pra variar, o dia estava bastante quente, retornamos logo no primeiro horário da tarde (há horários determinados pra se ir e voltar).

Deixamos Cabo Polônio no local mais alto do caminhônibus, chacualhando ainda mais pra lá e pra cá. Vendo a linda praia ficando pra trás, me dava uma sensação estranha, sobre quem estava de fato em perigo, se eu, ou o Leão Marinho. É certo que a presença humana, com a “vitória” da cultura branca ocidental, tem desequilibrado o planeta e posto em risco todas as espécies, incluindo a nossa.

Aquele povoado, com todos aqueles visitantes, que precisam comer, beber, comprar, defecar e urinar, não parecia em harmonia com o local. É bastante provável que esta presença maciça, em especial na alta temporada não seja lá muito benéfica para os anfitriões leões… Uma pena, pois acredito que é imensamente importante para que preservemos, que conheçamos nosso planeta, que nos consideremos também parte dele, e que não cuspamos na casa que entramos a conhecer.

Cabo Polônio é um belo refúgio, que visitamos e saímos com a sensação: Puxa! Existem animais prá além do zoológico!

Em Águas Dulces mais um lindo Luar, pra nos colocar em nosso ínfimo, e ao mesmo tempo, tão importante quanto os outros, lugar no Planeta. Bom saber que Ele existe a muito, muito tempo anterior à nossa espécie, e que com certeza sabe o que fazer para se reequilibrar.

"Do Luar não há mais nada a dizer, a não ser que a gente precisa ver o Luar"

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