Santa Tereza

O parque é maravilhoso, de fazer inveja, estrutura, praia, mini-zôo, brinquedos para crianças; um lugar que dá pra ir e ficar só lá. Alguns dias antes, numa dessas cidadezinhas que passamos, nos disseram que o parque havia sido fechado, porque atingira um máximo de pessoas, cerca de 12 mil. Fora de série.

Pela manhã fomos conhecer a fortaleza, palco de guerras entre Portugal e Espanha. Esse povo maldito… acabaram com tudo por aqui, exterminaram nosso indígenas, verdadeiros donos da terra, com suas guerras e promessa de progresso. Mas, nos proporcionou belas fotos e nossas mais sinceras maldições.

O lugar é deserto, como boa parte do Uruguai, uma concentração de terras absurda, com essa mania que as pessoas tem de cercar a terra, assinar alguns papéis e achar que são donos da terra, das cachoeiras, das cavernas, das árvores.

Havia pouca gente por ali, a maioria estava na praia. Só havia um local para comer alguma coisa, em frente ao forte, mas não tinha almoço. O lugar foi usado durante a noite para uma balada e o povo da lanchonete queria mais é dormir.

Demos mais umas voltas, com as bikes, para conhecer cada ponto, paramos para almoçar em um local central, próximo a um mercado, ao caixa eletrônico e central de controle do parque. Pegamos uma jarra de vinho, não muito bom e uma comida, também não muito boa.

 À tarde fomos a praia, afinal, ninguém é de ferro.

E pra terminar o dia, sem combinar, nos encontramos mais uma vez com Nicolas e Letícia e já sem cerimômias, juntamos as mesas para um bom papo, como já velhos amigos…

Logo ali…

De Punda del Diablo até o Parque Santa Tereza são apenas 15km, de modo que já deixamos a dica de ficar hospedado no Parque, que tem como estadias mínimas 3 pernoites por um valor irrisório, e em um dos dias, se tiver interesse voltar à Punta del Diablo só pra conhecer o local, que também é interessante. Comprovar essa teoria nem era a nossa intenção, mas…

Logo ao sairmos já encontramos mais um cicloturista argentino. É sempre bacana encontrar outros cicloturistas, sempre temos algo a conversar, mesmo em outra língua, a linguagem da bicicleta é universal.

E lá fomos nós vagarosamente carregados até a entrada do Parque, que é administrado pelo Exército, e você tem que se apresentar na entrada e na saída. É um Parque enorme e através de um mapa escolhemos um lugar para acampar.

O problema de urbanóides como nós é que fomos ensinados a pensar que o melhor lugar é o que tiver mais “infraestrutura”. Por um lado isso pode ser verdadeiro, mas por outro…

Escolhemos ficar no lugar mais “badalado” do Parque, perto do supermercado, restaurante, lavanderia, ou seja, o lugar com a maior muvuca de gente. A idéia era deixarmos as bicis descansando e fazermos nossas atividades à pé.

Após uma tentativa frustada de um lugar para acampar, fomos acolhid@s por um casal muito simpático. No camping, além do local, a vizinhança é essencial.

Enquanto montávamos acampamento tive um lápso de memória e perguntei ao Flávio se havia recolhido a roupa do varal lá do hosteling, disse que sim, mas a dele… ou seja, eu havia esquecido meu biquini e minha toalha… fiquei super chateada porque logo no começo da viagem já havia esquecido uma peça muito importante do nosso paneleiro. Que droga! Fiquei sem saber o que fazer e de bode.

Fomos almoçar no restaurante e mais um desses encontros bacanas aconteceu. Já havíamos acabado nosso almoço quando um casal estacionou suas bicicletas por ali. Eu já havia visto aquelas bicicletas estacionadas em Águas Dulces e pelas garupas pareciam ser de cicloturistas.

Não resisti e fui perguntar a eles se estavam viajando de bicicleta. Pronto, já tivemos assunto pra uma tarde inteira. Letícia e Nicolas são Argentinos de Córdoba e estavam em sua primeira cicloviagem. Saindo de Montevidéu, estavam encerrando a viagem ali no Parque Santa Tereza, de onde voltariam de ônibus pra Montevidéu na casa de uma tia de Létícia, para pegar o carro até Córdoba novamente.

Na nossa conversa finalmente nos conformamos sem culpa por termos pegado o ônibus de Punta Del´Este até La Paloma, uma vez que nos contaram que tiveram que ficar no meio do caminho, sem conseguir chegar a Rocha, tendo que acampar às escondidas e de forma improvisada em uma praia. Ficaram receosos mas felizmente nada aconteceu e ainda conseguiram dormir feito pedras! Eles não tinham a informação que nós tínhamos de que era um trecho longo e sem apoio…

Quando finalmente decidimos encerrar aquela boa conversa já passava das 5 da tarde e mesmo os funcionários do restaurante já pareciam ter ido embora, tivemos que sair procurando por algum pra poder pagar a conta.

Renovados de energia como esses encontros fazem conosco, montamos nas bicicletas aladas, leves leves sem bagagem e partimos no retorno à toalha esquecida e ainda teríamos novos acontecimentos.

Passamos por um brasileiro do Chuí, que estava em uma lambreta parada por ali, que nos encheu de perguntas e nos deixou até um pouco receosos como: “vocês não tem medo de serem assaltados não?”

Seguimos nosso caminho e o que não havia acontecido na viagem inteira aconteceu naquela hora, meu pneu furou. Estávamos consertando quando novamente o brasileiro se aproximou com sua moto… pronto… éramos a isca perfeita… foi aí que o Jefferson explicou melhor a natureza de tantas perguntas. Por trabalhar com turismo na Prefeitura do Chuí, pensou em fazer uma postagem sobre nossa viagem e voltou pra fazer uma foto nossa. Depois até nos mandou um recadinho super simpático por AQUI! Valeu!

Só com as bicicletas descarregadas pudemos perceber como elas estavam pesadas e como isso influencia na nossa pedalada. Sem peso, fomos e voltamos rapidinho à Punta del Diablo, que fica “loga alí”, foi vapt e vupt e já voltamos para a barulheira do nosso camping que passou a noite barulhando por conta de algum jogo de futebol…