Primeira Fronteira – De São Sebastião à Paraty

Diário de Bordo:

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Reconhecendo…

Como fomos “forçados” a permanecer mais um dia em Paraty, recorremos mais uma vez ao centro histórico pra passear. Fomos então visitar a Casa da Cultura de Paraty. De fato, por vezes, as “histórias oficiais” são sempre muito chatas por só contarem parte da história, negr@s, indígenas, crianças e mulheres em geral quase nunca tem suas vozes ouvidas. Sendo assim, sem grandes expectativas fomos visitar o local…

Logo na bilheteria fomos informad@s que estava havendo a mudança da mostra temporária, o que nos possibilitaria conhecer apenas a mostra permanente. Pagamos menos pelas entradas e ganhamos um livreto sobre a casa.

Adorei a mostra permanente.

 

Encontramos por lá a vida de Paraty, que até então não tínhamos visto nas movimentadas ruas repletas de turistas. Através de uma exposição de fotos e áudio, moradores da cidade nos contavam suas histórias e relação com a cidade. Passamos um tempão por lá ouvindo um monte dele(a)s.

Depois das muitas aulas passamos a apreciar mais a “cidade cenográfica” com ares de museu a céu aberto.

Pena que para alguns, a escravidão não passou…

No outro dia foi “botar a bicicleta no saco” e voltar pro nosso lar doce lar.

Até a próxima.

Cruzando fronteiras

Choveu por toda noite. Levantamos, tomamos café e arrumamos nossas coisas. Cobrimos nossos alforjes com as capas, vestimos nossas capas de chuva e lá fomos nós, roda-na-lama. O tempo todo pensando em voltar um dia para esse pequeno paraíso.

A estrada estava tranquila, com suas subidas e descidas. Fomos contando os quilômetros até chegar à divisa de Estado. Chegamos ao fim de São Paulo. Percorremos, em outras viagens os trechos de Peruíbe à Ilha Bela e de Peruíbe à Cananéia. Agora só falta pedalar o trecho até o Paraná e completamos o litoral de São Paulo.

Na serra paramos em uma cachoeira, um local de uma natureza privilegiada, mas com pouca estrutura, apenas um barzinho de madeira, mesmo assim muitas pessoas paravam para apreciar a paisagem.

Chegando ao Rio de Janeiro uma descida daquelas apressou nossa chegada, deslizamos pela estrada que foi deixando de ter acostamento. Mais a frente, em um trecho da estrada havia uma obra que fechava meia pista, os funcionários deixavam passar os carros de um lado, por uns 2 quilômetros, depois abriam o outro lado para os carros que vinham na direção oposta. Passamos cumprimentando os funcionários e seguimos, a pista era estreita e os carros nos pressionavam para ir mais rápido, os carros nos passaram e houve certa tranquilidade, mas no meio do percurso os funcionários abriram a passagem do lado oposto, sem esperar que chegássemos, os carros vieram de frente, um caminhão passou muito perto de nós.

Irresponsável essa postura dos funcionários, eles estavam se comunicando por rádio, nós estávamos transitando com nossos veículos e mesmo assim fomos desconsiderados em nosso direito à segurança.

Passamos por Trindade (algumas cenas e um tostão da voz de Ana), local que conhecemos em outra pequena ciclo-viagem. Daquela vez fomos apenas de Paraty à Trindade, chegamos muito cedo em Paraty e o que vimos nos pareceu sem graça, estávamos interessados em praia e a cidade não nos encantou.

Procuramos algum lugar para ficar, chegamos a um hostelling e só tinha um quartinho apertado e escuro para ficar, topamos, desfizemos as malas, almoçamos em um restaurante por quilo e fomos dar uma volta.

Resolvemos conhecer essa cidade histórica, que teve seu auge no império, local onde chegava o ouro vindo da exploração das Minas Gerais. Conforme descreve Eduardo Galeano em seu livro “As veias abertas da América Latina”, a riqueza extraída das terras sustentaram uma falsa-riqueza da cidade (ouro de tolo), ouro que seguia para Portugal, que por sua vez usava-o para comprar produtos ingleses, que investiam na produção de fábricas e máquinas, dessa forma se desenvolvia o início da produção capitalista. Assim, esse ouro, nosso ouro, é responsável pela riqueza da Europa e seu desenvolvimento. Assim que acabou a exploração do ouro, Paraty e as demais cidades foram abandonadas, sem nenhum desenvolvimento, obrigando seus habitantes a viverem do turismo.

As famílias da região, por falta de recursos se afastam cada vez mais da cidade, surgindo casas de veraneio em seus lugares.

Os antigos casarões viraram pontos turísticos, quase todos lojas e restaurantes.

Chegamos ao museu da cidade, mas estava para fechar, resolvemos deixar para conhecê-lo em outra ocasião.

O mar é parado, quando a maré sobe preenche boa parte das ruas.

Pensamos no ilustre morador Amyr Klinc (cem dias entre o céu e o mar) e em como esse ambiente deve ter influenciado sua paixão pelo mar.

Nossa intenção era ir embora no dia seguinte, domingo, mas na rodoviária nos disseram que não havia mais passagem, só para segunda-feira de manhã, fazer o quê, né?

À noite fomos jantar na cidade, que estava lotada, os bares e restaurantes cheios e caros.

Ubachuva…

Após um dia lindo de sol, Ubatuba resolveu fazer juz ao seu apelido mais conhecido… foi inacreditável, choveu o dia inteirinho que Deus deu… e se quer batemos fotos ou filmamos o local enquanto o sol paiarava sobre nós, tamanha a ânsia de praiar no dia anterior…

O jeito vai ser voltar lá em outra ocasião, fazer o que, mas neste dia ficamos na soneca, com visão privilegiada: de frente pra chuva…

Um pedaço de paraíso

Saímos pela manhã e fomos pedalando pelas praias, estava ensolarado, passamos pela praia que ficamos no dia anterior e seguimos de olho no GPS.

Ubatuba é uma cidade pequena e bonita, com uma natureza muito preservada. Logo chegamos na estrada, com muitas subidas e descidas, só 35 km nos separavam de nosso destino…

A estrada era bem vazia, com bom acostamento, cheia de paisagens fascinantes.

Chegamos em Ubatumirim e seguimos as dicas para chegar a pousada e valeu a pena… o lugar era mesmo lindo. Estavam reformando, então a cozinha coletiva não estava liberada. A moça que nos atendeu foi muito simpática e nos concedeu o melhor chalé da pousada, frente pro mar, tudo de bom.

Nos ajeitamos e aproveitamos a praia, o dia estava quente e o céu azul, o mar estava bom, a água limpa e sem ondas. O lugar era deserto, caminhamos um pouco e chegamos a uma vila de pescadores de classe média, com trailers e cabanas, poucos bares, o que levava os preços ao abuso, uma cerveja R$ 6,00.

O dia estava tão perfeito que achamos melhor ficar mais um pouco, reservamos para mais um dia, o lugar valia a pena. Durante a noite caminhamos um pouco, mas a escuridão nos fez voltar logo pra casa.