Cruzando fronteiras

Choveu por toda noite. Levantamos, tomamos café e arrumamos nossas coisas. Cobrimos nossos alforjes com as capas, vestimos nossas capas de chuva e lá fomos nós, roda-na-lama. O tempo todo pensando em voltar um dia para esse pequeno paraíso.

A estrada estava tranquila, com suas subidas e descidas. Fomos contando os quilômetros até chegar à divisa de Estado. Chegamos ao fim de São Paulo. Percorremos, em outras viagens os trechos de Peruíbe à Ilha Bela e de Peruíbe à Cananéia. Agora só falta pedalar o trecho até o Paraná e completamos o litoral de São Paulo.

Na serra paramos em uma cachoeira, um local de uma natureza privilegiada, mas com pouca estrutura, apenas um barzinho de madeira, mesmo assim muitas pessoas paravam para apreciar a paisagem.

Chegando ao Rio de Janeiro uma descida daquelas apressou nossa chegada, deslizamos pela estrada que foi deixando de ter acostamento. Mais a frente, em um trecho da estrada havia uma obra que fechava meia pista, os funcionários deixavam passar os carros de um lado, por uns 2 quilômetros, depois abriam o outro lado para os carros que vinham na direção oposta. Passamos cumprimentando os funcionários e seguimos, a pista era estreita e os carros nos pressionavam para ir mais rápido, os carros nos passaram e houve certa tranquilidade, mas no meio do percurso os funcionários abriram a passagem do lado oposto, sem esperar que chegássemos, os carros vieram de frente, um caminhão passou muito perto de nós.

Irresponsável essa postura dos funcionários, eles estavam se comunicando por rádio, nós estávamos transitando com nossos veículos e mesmo assim fomos desconsiderados em nosso direito à segurança.

Passamos por Trindade (algumas cenas e um tostão da voz de Ana), local que conhecemos em outra pequena ciclo-viagem. Daquela vez fomos apenas de Paraty à Trindade, chegamos muito cedo em Paraty e o que vimos nos pareceu sem graça, estávamos interessados em praia e a cidade não nos encantou.

Procuramos algum lugar para ficar, chegamos a um hostelling e só tinha um quartinho apertado e escuro para ficar, topamos, desfizemos as malas, almoçamos em um restaurante por quilo e fomos dar uma volta.

Resolvemos conhecer essa cidade histórica, que teve seu auge no império, local onde chegava o ouro vindo da exploração das Minas Gerais. Conforme descreve Eduardo Galeano em seu livro “As veias abertas da América Latina”, a riqueza extraída das terras sustentaram uma falsa-riqueza da cidade (ouro de tolo), ouro que seguia para Portugal, que por sua vez usava-o para comprar produtos ingleses, que investiam na produção de fábricas e máquinas, dessa forma se desenvolvia o início da produção capitalista. Assim, esse ouro, nosso ouro, é responsável pela riqueza da Europa e seu desenvolvimento. Assim que acabou a exploração do ouro, Paraty e as demais cidades foram abandonadas, sem nenhum desenvolvimento, obrigando seus habitantes a viverem do turismo.

As famílias da região, por falta de recursos se afastam cada vez mais da cidade, surgindo casas de veraneio em seus lugares.

Os antigos casarões viraram pontos turísticos, quase todos lojas e restaurantes.

Chegamos ao museu da cidade, mas estava para fechar, resolvemos deixar para conhecê-lo em outra ocasião.

O mar é parado, quando a maré sobe preenche boa parte das ruas.

Pensamos no ilustre morador Amyr Klinc (cem dias entre o céu e o mar) e em como esse ambiente deve ter influenciado sua paixão pelo mar.

Nossa intenção era ir embora no dia seguinte, domingo, mas na rodoviária nos disseram que não havia mais passagem, só para segunda-feira de manhã, fazer o quê, né?

À noite fomos jantar na cidade, que estava lotada, os bares e restaurantes cheios e caros.

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