Histórias…

Após acordarmos em Asunción, a primeira coisa que fizemos foi entrar em contato com Maguiorina Balbuena para marcarmos a esperada entrevista. Desde nossos primeiros contatos que ela havia sido muito receptiva e estávamos ansios@s pra realizar a entrevista, mesmo após o acidente (ou até por conta dele). Por celular nos informou que poderíamos ir a seu encontro às 5 da tarde, na sede da CONAMURI (Coordinadora Nacional de Mujeres Rurales e Indígenas). Compromisso agendado, tínhamos tempo pra conhecer os arredores do hotel: o centro velho de Asunción.

Após o desayuno, saímos a pé, de GPS em punho, pesquisando os pontos mais próximos do hotel. Encontramos uma casa da cultura que apresentava um certo abandono e um homem tirava uma pestana em seu interior. Fomos a um segundo ponto e encontramos o Museu Ferroviário com bastante cara de “Patrimônio Tombando”. Pagamos alguns pesos e adentramos ao local. O próprio abandono do museu revela a história do abandono de um modelo de transporte sobre trilhos, para o transporte sobre rodas, o mesmo que aconteceu no Brasil.

Pelas ruas ainda é possível ver os trilhos, que mesmo um pouco encobertos pelo asfalto, estão ali, nos lembrando a capacidade humana que nos diferencia de outros animais, a capacidade de fazer escolhas e de transformar o ambiente em que vivemos.

“Tremhome”

Depois do Museu, continuamos andando, debaixo de sol escaldante, para um próximo ponto que o GPS nos indicava, e fomos dar em uma Igreja… Nada de especial, apenas o calor nos lembrando que mesmo sem a bicicleta, ele beira o insuportável. Deixamos o local e procuramos um lugar bom e barato para comer. Após o almoço, novamente tiramos um cochilo pra ficarmos prontos para a entrevista.

Às 5 em ponto já estávamos na CONAMURI aguardando por Maguiorina, que estava em outra atividade. Fomos nos ambientando ao local, que nos pareceu familiar.

Maguiorina se assentou e começamos a conversar, procurando registrar tudo e ao mesmo tempo, sermos naturais. Já acostumada ao diálogo, Maguiorina foi nos contando sua história, que se mistura a de seu país e a histórica luta de mulheres e homens por todo o mundo pela superação das desigualdades de gênero, raça e etnia, tripé que sustenta a sociedade capitalista.

Ver Entrevista com Maguiorina Balbuena.

Após a conversa, Maguiorina nos presenteou com livros e nos apresentou sua família através de fotos. Também adentramos à CONAMURI, conhecendo melhor o espaço.

Tendo esse bate papo tão proveitoso, ainda saímos sedentos por conhecer um pouquinho mais sobre o Paraguai, e passeamos pelas “casas do poder” nacionais.

Poder esse sempre cercado por contradições. Há uma grande população nos arredores, lutando por seu direito à moradia e pra não serem varridos para debaixo dos tapetes vermelhos…

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