Ilha do Mel

Acordamos com vontade de conhecer esse pequeno paraíso na terra, trilhas entre árvores, praias desertas, poucas pessoas, do jeito que a gente gosta.

Trilhas e rumos

Trilhas e rumos

Saímos em direção a praia das Encantadas, andamos bastante pela praia, seguindo um mapa turístico. Nele, havia vários desenhos de trilhas primárias e secundárias. Chegando ao fim da praia haviam dois caminhos, um ia pelas pedras beirando o mar, outro dava a volta na montanha. Achamos que o primeiro era melhor. Ledo engano.

o caminho das pedras

o caminho das pedras

As pedras eram bem complicadas, com sérios riscos de queda, e só iam piorando a medida que andávamos. Em certo ponto parecia que não havia como passar, mas vimos desenhado em uma pedra uma seta, apontando para uma fenda estreita entre duas enormes pedras. Aninha relutou, queria voltar pra casa, depois tirou a mochila e passou, entreguei as mochilas para ela e passei também, com mais dois quilos ficaríamos ali entalados.

deserta

deserta

Chegamos a próxima praia, andamos mais um bom bocado, depois a subida em um morro e chegamos a Gruta das Encantadas, um ponto turístico com boa infraestrutura. Um espetáculo da natureza, uma caverna enorme feita pelas ondas do mar e pelo tempo.

caminhos dos sertões

caminhos dos sertões

Antes de chegarmos ali encontramos com dois casais, um, depois outro, nos perguntando como se chegava do outro lado, demos as coordenadas e ficamos com dó do despreparo dos mesmos, de chinelos, biquinis, sem água (esses turistas).

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Encantada

Encantada

Perguntamos para algumas pessoas e vimos que havia um barco que levava da praia de Encantadas até o trapiche de Brasília. Preço de passagem de ônibus. Ficamos esperando o barco chegar, entrei um pouco no mar raso, que não afundava jamais. Vimos uma pequena igreja que nos fez uma grata surpresa, ao vermos em suas paredes os 10 mandamentos da Teologia da Libertação.

A opção pelos pobres

A opção pelos pobres

Que bom saber que o verdadeiro cristianismo ainda está presente em alguns locais.

No trapiche outra boa surpresa, uma foca exibida, pousando para nossas fotos e filmagens. Ao que parece apareceu e foi bem tratada com peixes, daí não quis mais ir embora.

A foca

A foca

Trajeto de Encantadas à Brasília

Trajeto de Encantadas à Brasília

Pegamos o barco e voltamos ao trapiche de Brasília, caminhamos até a Fortaleza e percebemos o quanto o mar tem subido por estes lados, tomando a praia, desbarrancando as encostas, dando até pra ver a terra sob as areias da praia. Vilas a beira mar onde só haviam casas abandonadas e a venda.

O que é do mar é do mar...

O que é do mar é do mar…

O forte sombrio e artificial como outras fortalezas, restauradas e frias, lembranças de guerras, de nossos invasores europeus.

Forte Nossa Senhora dos Prazeres (hummm)

Forte Nossa Senhora dos Prazeres (hummm)

Caminhamos de volta, na andança encontramos os dois casais, aqueles, lá de encantada, acabaram fazendo o caminho das pedras juntos, estavam exaustos e felizes por vencerem o desafio da caminhada. Ao chegar no camping encontramos a dona que havia chegado, ocupamos a cozinha, como na noite anterior, preparamos a janta e depois fomos dormir, durante a noite tivemos uma forte chuva.

Dia 06: 27/11/12 – terça-feira.

Um Milhão de Golfinhos!!!

Temos problemas com barcos… acho que já contei isso por aqui mas uma vez, ainda quando não viajávamos de bicicleta, participei de um Encontro Mundial do Serviço Social em Salvador, na Bahia. Flávio foi a tira colo para aproveitarmos a viagem e de lá seguirmos para Morro de São Paulo. Na ida pegamos duas vãs e dois barcos num percurso que durou 4 horas. Na volta decidimos pegar um barco direto pra Salvador num trajeto que levaria 2 horas… só não nos avisaram que seria de tortura. O barco, conhecido por Catamarã, era grande e parecia manter apenas o motor dentro do mar, o resto se empinava todo frente a umas montanhas de água que se formavam a nossa frente, despencando logo em seguida, quando a montanha passava. Foi um festival de vomitadas, felizmente não nossas, que havíamos tomado dramin e não tomado líquido, conforme nos haviam orientado. Fizemos um acordo entre nós pra não mais nos metermos em enrascadas como aquela. Mas que “promessa sem jeito”! Como atravessar uma região de ilhas assim?

Montamos na voadeira (que tem esse nome por só manter o motor na água, e sair voando pelas ondas), o tempo estava fechado, anunciando chuva. Felizmente o mar não estava mais tão agitado como no dia anterior. Com nossas capas, garramos nas bicicletas que nos encheram de areia que se desprendia dos pneus com o vento, e deixamos pra trás os 10 km de praia pedaláveis da Ilha das Peças. Fomos conversando com Carioca, marido da Denise, que era guarda florestal e quando conheceu Superagui nunca mais quis ir embora… Flávio mencionou que não mais vimos golfinhos, ao que Carioca se espantou informando que estávamos navegando na 2a maior região de concentração deles. Mais afrente um pouco anunciou: “olha dois ali”, eles são lindos! Saltam e ficam com todo o dorso de fora, um bicho grande! Mais pra frente um pouco e um espetáculo muito lindo mesmo! Deviam ser uns 15 golfinhos, saltando e vindo na nossa direção, Carioca até parou o barco, admiramo-os por alguns segundos e sumiram todos, só reaparecendo lá longe, do outro lado do barco… um encontro especial que só podemos ter no mar, claro. Temos de rever nossos tratos sempre. A viagem foi muito bacana e já desembarcávamos em Ilha do Mel.

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Próxim@s ao farol das conchas a beleza já se fazia presente, fizemos uma sessão de foto/ filmagem e fomos procurar hospedagem. Vimos um camping bacana mas pensamos perguntar em mais locais. Tudo muito caro, voltamos ao primeiro camping e ficamos literalmente sozinh@s no local pois os donos haviam ido pra Paranaguá e a funcionária sairia às 17h. Instalad@s e bem alimentad@s fomos passear, voltando ao farol. De lá da pra se ter uma noção de como a Ilha é bonita e “olha a cobra!”, o Flávio quase pisou na bicha que era verdinha e de pintas pretas… deixamos o farol e seguimos na direção da praia de Encantadas, mas logo percebemos que teríamos que deixar o passeio pro outro dia porque era bem longinho e nem dava pra ir de bicicleta.

Primeiro acampamento da viagem.

Primeiro acampamento da viagem.

Subidinha braba!

Subidinha braba!

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Farol das Conchas

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Praia pra todo lado

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Voltamos ao camping e tivemos uma noite muito tranquila, até havia me esquecido de como nossa barraca pode ser tão confortável…

Dia 05: 26/11/12 – segunda-feira.

Lugares sem carros

Hoje foi 25 de novembro, Dia Internacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher. Nessa viagem levei alguns laços da Campanha do Laço Branco: homens pelo fim da violência contra a mulher, em cada local que passávamos, procurei deixar um, pendurado em algum lugar decorativo.

Tiramos o dia de folga, acordamos tarde e fomos tomar café, na companhia de Denise e Carioca, os donos da pensão. Perguntamos ao Carioca, como bom pescador que era, qual seria a previsão do tempo para hoje. Ficamos esperando um olhar sábio para o céu, mas, Carioca pegou seu notebook e disse a previsão era da chuva continuar. Nos disse que antigamente eles conseguiam prever o tempo, mas hoje, o tempo muda mais rapidamente e de uma hora pra outra.

Pousada aconchegante...

Pousada aconchegante…

Após o café colocamos nossas capas de chuva e saímos para dar uma volta pelo vilarejo, apesar do vento forte tiramos algumas fotos dos barcos balançando ao sabor do vento sul. Em um barco próximo um homem buscava esvaziar com um balde a água que insistia em entrar.

Um dia de chuva...

Um dia de chuva…

Na Ilha de Superagui também não entra carro, um alívio pra nós, um silêncio. Em nosso passeio vimos 3 meninos brincando na areia, cada um com seu barquinho, nas ondas da areia, falando sobre vento e camarão. Carro aqui, nem de brinquedo…

Do orelhão ligamos para Maria e Amauri, pais da Aninha, para matar a saudades, compramos água no mercadinho.

Matando saudades...

Matando saudades…

Fizemos o almoço e ficamos ouvindo pela TV as músicas de nosso pendrive, mais tarde saímos para andar mais um pouco.

Estávamos em dúvida sobre o dia de amanhã, nosso plano era ir até Guaraqueçaba, passando pela Ilha das Peças, e dar uma grande volta pela baia de Paranaguá, como sugere o roteiro da Rafa e do Olinto, mas todos nos diziam que não valia a pena, a estrada era uma das piores da viagem. Outra opção era ir de barco até a Ilha das Peças, pedalar 10 quilômetros e pegar um barco até Paranaguá, que demoraria 3 horas para chegar lá. Essa ideia de ficar 3 horas em um barco não nos atraia. Por fim resolvemos ir dali direto para a Ilha do Mel, com a voadeira do Carioca.

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Dia 04: 25/11/12 – Domingo.