“De jangada leva uma eternidade, de saveiro leva uma encarnação”

5:30 h e toca o relógio, não queríamos nem pensar em perder o barco que sairia as 8h, porque se não, só as 17h e não conseguiríamos chegar até Curitiba, nosso destino do dia. Não gosto de fazer nada “correndo” (acho que é por isso que viajo de bicileta) e depois que o despertador toca, sempre tem um chorinho de 10, 15 minutinhos… Organizamos tudo e a barraca teve de ser enrolada suja mesmo, pois choveu muito durante a noite.

Chegamos até cedo no trapiche de Brasília e tiramos todas as coisas das bicis, pois estas iriam no teto do barco. E lá vamos nós navegar de novo, pelo menos creio que será nossa última grande travessia… 2 horas de teco teco na orelha, como estamos desacostumad@s com esse meio de transporte. De longe avistamos alguns golfinhos e tentamos recuperar a foto perdida, mas essa aparição não podia ser comparada com a que tivemos quando chegamos em Ilha do Mel.

Com um pouco de imaginação pode-se ver... :(

Com um pouco de imaginação pode-se ver… 😦

Vamos nós pra mais um teco teco!

Vamos nós pra mais um teco teco!

9h e dispara um alarme no barco, corre corre da mulecada tripulante, deslocam-se os passageiros que estavam sentados nos bancos que ficam sobre o motor e se abre o local, de onde sai pequena quantidade de fumaça. Já comecei a ficar agoniada mas pela tranquilidade dos demais passageiros não parecia ser nada grave, pelo que entendemos, estourou a “corrente dentada”. Puxei assunto com uma senhora que estava no banco atrás de mim pra saber se aquela situação era normal, ao que ela respondeu que sim (é impressionante como nos acostumamos com porcarias… no meu retorno ao trabalho, pós viagem, fiquei 3 horas presa dentro do trem, entre as estações Santo André e Capuava devido alagamento na via)…

Mas… finalmente, após 3 horas, chegamos em Paranaguá, e nos preparamos para pegar a Rodovia pela primeira vez nesta viagem.

O dia estava quente, e embora estivéssemos com o guia da Rafa e do Olinto, achamos que seria fácil achar a estrada só com o GPS. Seria, caso a cidade fosse planejada para o transporte por bicicleta… como não é, caímos em uma estrada horrorosa e sem acostamento, o que nos levou a buscar caminhos alternativos, conhecendo o “lado B” da cidade, aquele que passa pelos locais mais pobres, geralmente fora dos roteiros turísticos. Legal foi ver a criançada utilizando a bike pra voltar da escola, todas querendo apostar corrida conosco.

Já na Rodovia, passamos a ser acompanhados por um cheiro de titica de galinha… “Mas que diabo de cheiro é esse? Não estou vendo nenhum galinheiro por aqui!?” E observando com maior atenção percebemos uma grande quantidade de milho, que cai dos caminhões, apodrecendo na beira da estrada, um horror, ou melhor, um fedor.

Paramos pra comer nossos lanches e seguimos pedalando rapidinho no rumo de Morretes, onde tomaríamos um trem até Curitiba. Chegamos com tempo, mas ao lado da ferroviária não havia nenhum lugar bacana pra um lanchinho mais reforçado… Ao comprar nossas passagens, um susto: foram verificar se o vagão para carga viria para esta viagem. Ou seja, não é em toda viagem que o vagão está presente! Bom ficar atento à isso e verificar com antecedência. Compramos as passagens caras e embarcamos.

Os vagões de carga! Ufa...

Os vagões de carga! Ufa…

Já instaladas.

Já instaladas.

A subida conta até com guia turística, e um “lanche” daqueles típicos de avião. Uma indicação que tivemos é o filme “O Preço da Paz“, pois durante a subida passamos por onde o principal personagem do filme, o Barão do Cerro Azul, foi morto… embora já tenhamos contado o fim do filme, vale a pena assistir! E também fazer a subida com o trem:

DSC_0168

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Uma coisa chata nessa coisa de turismo convencional é o tratamento dado aos moradores do “Lado B” das cidades, ou como disse a guia, os “invasores” que moram na perifa de Curitiba. Fomos chegando e ela pediu para fecharmos as janelas, pra não sermos apedrejados sabe! Depois leva uma pedrada e não sabe porque! O trem ficou quente e passamos sem maiores problemas, observando os estranhos invasores, mais conhecidos como mulheres e crianças pobres.

Eita dia cumprido!!! Ao chegar a Curitiba, ainda teríamos que carregar novamente as bicicletas e pedalar até a casa de meus primos, que nos receberiam por ali. Míseros 10 km, mas que em horário de pico se tornou uma aventura, com direito a um encontro inusitado com o Yuri! Ciclista que conhecemos durante nossas pedaladas pelo Vale Europeu, que deu a dica: o caminho é por aí mesmo! Ocupando a faixa!

Demorou um pouco mas chegamos, meus primos já cansados de nos telefonar, nos encontraram já no portão, e a preocupação se transformou na alegria da familiar acolhida.

Dia 07: 28/11/12 – quarta-feira.

Estatísticas do pedal:

*Distância: 50,36 km

*Velocidade Média: 13,8 km/h

*Máxima: 43,2 km/h

*Calorias: 543,2

*Tempo de pedal: 3h 37min

*Total: 91,8 km

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