Descompensando…

Saímos de Barra Velha com dia bastante quente, já anunciando os calorões mais profundos do verão. Mal andamos uns 500 metros e o pneu do Flávio resolveu furar… Ok, a paciência é a melhor aliada nestas horas e ainda estávamos só no início do dia. Pra melhorar ainda, um ciclista nos abordou para conversarmos. Era o Jairo, cicloturista experiente que saiu de de Santa Catarina e só parou no Macapá, numa viagem de 6 meses pelo litoral brasileiro.

Encontro com cicloturista Jairo

Encontro com cicloturista Jairo

Pneu consertado, saímos, sempre procurando nos manter o mais próximo possível do litoral. Muito embora essa alternativa seja mais tranquila, ela é bem mais lenta, uma vez que por vezes, esses caminhos tem relevo bem mais acentuado… mas agente pode se deparar com vistas bem bacanas, como esta:

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Neste dia, a partir de Balneário Piçarras, percorreríamos parte do Circuito de Cicloturismo “Costa Verde e Mar”, o que, por algum motivo que não sei qual, me fez acreditar que estaríamos em ambiente mais amigável às bicicletas… que baita engano…

Os ainda iludidos cicloturistas felizes!

Os ainda iludidos cicloturistas felizes!

O dia vinha ensolarado e nós “lentos e amorosos”, como diria nosso amigo Rodolfo Barbosa…

Passamos pelo Parque do Beto Carreiro e eu fiz uma foto pra mandar pra minha professora Iraci, com quem estive no Parque a alguns muitos anos atrás, vim de novo, só que desta vez pedalando! Muito mais emocionante…

Eu e Beto em nossos cavalos de ferro.

Eu e Beto em nossos cavalos de ferro.

Largamos as emoções do parque pra outra ocasião e seguimos à base de pão com mortadela, já passava do meio dia e o solzão estava à pino.

Chegamos numa estrada beira mar, que corre ao longo de uma reserva. Neste local preservaram a mata nativa, ou seja, não há construções, calçadão, quiosque, nada disso. Para chegar até a praia você deve seguir por uma passarela de madeira.

Vínhamos tranquilos ao longo da via, que embora sem acostamento, tinha um baixo número de veículos circulando, o que facilitava para estes a nossa ultrapassagem. Só que não. Nem sempre o bom senso impera entre os motoristas, e um motorista de ônibus, resolveu “nos dar uma lição”, porque? Eis a pergunta: porque? Sabe-se lá Deus, talvez quisesse estar passeando ao invés de trabalhando, sei lá. O que sei é que levamos a maior fina da viagem…

Ele passou em alta velocidade, e mesmo podendo se afastar da gente, porque não vinha carro na outra direção, resolveu tirar aquela fina assassina, uma espécie de roleta russa do trânsito. Pra mim que vou na frente do comboio, acho que é ainda pior, porque quando o motorista do ônibus passa com a dianteira do veículo, esquece que tem mais uns metros dele pra trás e assim, o infeliz quase me jogou no acostamento de terra e esburacado, o que seria um tombo na certa.

Felizmente os anjos protetores dos cicloturistas estavam a postos e “nada” aconteceu. Ficamos muito chatead@s, eu em especial, e decidimos seguir pela calçada da contramão. Era uma calçada de umas pedras grandes e soltas e nossa velocidade caiu pela metade.

Neste ânimo, só parando pra comer uma maça...

Neste ânimo, só parando pra comer uma maça…

Mas as mazelas da cidade grande estavam só começando, em tão pouco tempo, será que já tínhamos esquecido?

Balsa entre Navegantes e Itajaí: Caos à vista.

Balsa entre Navegantes e Itajaí: Caos à vista.

Em meio ao caos urbano das proximidades de Balneário Camboriú, fomos nos esgueirando pelas calçadas, empurrando as bicicletas pelos morros e chegando à praia principal da cidade. Era tarde, não havia mais motivação pra seguir em frente e começamos a procurar onde ficar: um camping que já não existe mais (no local mais um imenso prédio vai surgir), hotéis caros, praia abarrotada, água de côco a 5 pilas. Cansamos de procurar e acabamos ficando num hotel bem caro.

Já instalados, descompensei. Mas que merda.

Cessão de trimiliques; quero ir embora; será que meu pai pode vir nos buscar?; tem avião daqui não tem? Ônibus? Jegue? Bicicleta? Não deve ser atôa que casei com um psicólogo.

E então retomamos um projeto antigo, ficar na casa de uns primos meus que eu mal conhecia. Liguei pra minha mãe, que ligou pra minha tia, que ligou pra sua filha e que falou que tudo bem. À princípio, nossos planos era passar direto por Balneário Camboriú e acampar mais à frente, como já havíamos lido nos relatos de nossos antecessores, mas dado o andar da carroagem, ficamos.

É melhor dormir, amanhã agente vê.

Dia 15: 06/12/12 – quinta-feira.

Estatísticas do pedal

*Distância: 61,43 km

*Velocidade Média: 11,8 km/h

*Máxima: 30 km/h

*Calorias: 549,8

*Tempo de pedal: 5h 11min

*Total: 462,7 km

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Seguindo em frente…

Era hora de seguir viagem, depois de passarmos boas horas com a Dani, anfitriã maravilhosa, sentiremos saudades e gratidão pelo carinho que recebemos.

Nosso plano inicial era seguirmos pelo litoral, mas seria uma volta muito longa e não sabíamos se havia passagem por sobre o canal de saída. Decidimos  ir pela estrada, complicada… caminhões por toda parte, na estrada e nos acostamentos, em fila, para descarregar no porto. Íamos pelo acostamento, pegamos um trecho onde as bikes afundaram numa lama mal cheirosa que impregnou tudo de sujeira.

Fomos em direção à Barra Velha, saímos de São Francisco por uma estrada feita sobre um aterro, grande erro de arquitetura, separando um braço de mar, interferindo seriamente com o meio ambiente, deixando um dos lados completamente poluído.

Assim que passamos o aterro fomos em direção ao litoral, pegamos uma rua de areia e fomos em frente, esse trecho foi um dos piores da viagem. A estrada nos fazia derrapar, a velocidade era baixa e toda hora tínhamos que por o pé no chão para não cair. Sem falar no sol de rachar…

Depois de muitas deslizadas, chegamos próximo ao oceano, seguimos no paralelo, até chegarmos ao calçamento, seguimos por uma rua de paralelepípedo, beirando o mar, passamos por belas praias. Paramos para um lanche em meio às casas vazias.

Foi um dia de longo pedal, fizemos 70 km, em uma velocidade média de 12,9 por hora, o tempo de pedal foi de 5h 22m.

Chegamos à Barra Velha.

Andamos por uma ciclovia beira mar, começamos a procurar onde ficar, fomos até um camping que tínhamos anotado, mas o mato estava da nossa altura – desativado.

Acabamos ficando em uma pousada vazia, em frente ao mar.

Dia 14: 05/12/12 – quarta-feira.

Estatísticas do pedal

*Distância: 70,01 km

*Velocidade Média: 12,9 km/h

*Máxima: 43,7 km/h

*Calorias: 652,2

*Tempo de pedal: 5h 22min

*Total: 401,3 km

São Francisco do Sul

Em São Francisco do Sul tivemos mais uma hospedagem solidádia. Ficamos na casa da Dani, também cicloviajante que conhecemos no Velotur Vale Europeu, em 2010. Necessário dizer que esta é a primeira viagem em que ficamos na casa das pessoas… é meio estranho entrar em contato com alguém e dizer: “olha, eu to de férias, posso ficar um dia (quem sabe dois ou três?) na sua casa???”, mas no caso da Dani, embora tenhamos convivido tão pouco até então, o que facilitou foi o fato dela ter uma grande dívida conosco. Acontece que, no segundo dia de viagem da que citamos acima, após cansativos ensolados quilometros paramos em uma padaria pra matar nossa fome. O lugar era tão tranquilo que deixamos as bikes soltas lá fora e entramos. Mas a Dani não ficou tranquila com sua bonita magrela às soltas na rua e pediu nossa corrente pra amarrar, já que ela não tinha uma. Quando voltou perguntamos se tinha conseguido prender as três, ao que informou só haver prendido a dela… Quer dizer que nossas feiosas magrelas poderiam ser levadas por criminosos inescrupulosos??? Hahaha! Tivemos que alugá-la até o fim daquela viagem e ainda teve de nos hospedar nessa… Saiu caro… rsrs.

Dani nos recebe em sua casa, obrigad@!!!

Dani nos recebe em sua casa, obrigad@!!!

Entramos então na boa rotina que Dani criou pra si e levantamos cedo pra caminhar na praia antes dela ir trabalhar. Compras e refeições da manhã e fomos com ela conhecer o Projeto TEAMAR, onde dá aula de tecelagem manual. Nem preciso dizer que eu e Flávio ficamos babando em ir trabalhar praquelas bandas!

Todas as manhãs...

Todas as manhãs…

Salada para o almoço vinda do quintal

Salada para o almoço vinda do quintal

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Pense num emaranhado de fios...

Pense num emaranhado de fios…

... que vai tomando forma.

… que vai tomando forma.

Depois fomos ao Museu do Mar e estava ansiosa pra uma atração em especial. O Museu do Mar, ao meu ver, que não entendo nada de museus, devia ter outro nome, como museu da embarcação por exemplo, que é o que se vê por lá. Seguimos pelas galerias conhecendo um pouco dessa história até chegar na minha esperada atração: o barco com o qual Amyr Klink fez a travessia do atlântico à remo, sua famosa “lamparina”.

Foi só em foto mesmo...

Foi só em foto mesmo…

Não foi dessa vez… mas conhecemos sua primeira canoinha:

O primeiro barco de Amyr.

O primeiro barco de Amyr.

Há histórias muito interessantes como a de um barco feito de um único tronco, de jangadas sem nenhum parafuso se quer e da similaridade das miniaturas feitas por presidiários.

Esculpida em um único tronco.

Esculpida em um único tronco.

Mais uma voltinha pelo centro até a Dani sair e ainda cruzamos com os biciactivistas, em uma grande viagem de Buenos Aires ao Rio.

Breve encontro cicloturisticoativístico.

Breve encontro cicloturisticoativístico.

Dia 13: 04/12/12 – terça-feira.