A travessia da Cordilheira dos Andes

Era o dia de subir a Cordilheira pelo antigo Passo Tromen, pela fronteira Passo Mamuil Malal. Seriam 67 km de subida constante.

Boa parte do caminho era por uma estrada com uma paisagem de deserto.

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Estava frio, apesar do céu azul e o vento fazia alguns trechos impedaláveis.

Seguíamos pela estrada deserta tentando ficar em cima das bicicletas, mas vinham algumas rajadas de vento que quase nos derrubavam.

Vimos um vulcão a nossa esquerda, acho que era o Vulcão Lanin, estava entre montanhas e com nuvens que pareciam um chapéu chinês. Íamos em sua direção.

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No velocímetro o marcador das horas passava mais rápido que o marcador dos quilômetros.

Chegamos ao Parque Nacional Lanin e a paisagem tornou-se mais verde, em compensação a estrada se tornou pior, sem asfalto, cheia de areia e pedras, os carros passavam e faziam subir uma nuvem de poeira, as rajadas de vento vinham, também, cheias de areia.

Faltavam poucos quilômetros, mas não conseguíamos pedalar, íamos empurrando de 50 em 50 passos, entre uma empurrada e outra, conversávamos sobre nossas alternativas: jogar nossas bicicletas no mato?, podíamos pedir carona, mas só se fosse um carro grande ou picape, podíamos deixar as bicicletas e pedir carona, mas o que levaríamos, os alforges eram muitos e pesados.

Seguímos, pensando que nossa história ia se resumir a ser achados mortos na subida da cordilheira, feito os alpinistas do Everest…

Mas no momento em achávamos que íamos morrer… chegamos!

No meio do nada. Havia um posto turístico e um camping selvagem, em que o único banheiro era do posto de turismo. Não havia nada para se comprar lá, apenas um pão caseiro que a mulher do camping vendia. Estava muito frio. No camping algumas barracas no meio da chuvinha que caía incessante. Conversamos com uma mulher que cuidava do camping, era possível tomar banho, eles tinham um lugar que podiam queimar algumas árvores para esquentar a água, mas ela não recomendou, “só tomam banho em último caso”, durante o dia, porque durante a noite a água ficava fria e difícil de esquentar.

Armamos a barraca na chuva, depois preparamos o jantar na mesma chuva, usando uma água congelante que saía da torneira. Ana tentou filmar o Lanin, mas ele estava todo coberto. Havia uma série de avisos nos prevenindo que o local estava cheio de “ratones”, por isso guardamos o pão que compramos da cuidadora do camping nos alforges e não deixamos nenhuma comida na barraca. Estava abaixo de zero, dormimos sem banho, rezando pelo nosso futuro.

 

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Uma resposta em “A travessia da Cordilheira dos Andes

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