Em grande estilo.

Acordamos cedo pra deixar tudo organizado pro nosso embarque. A parte chique da viagem ia começar e foi crucial para escolhermos o sentido do nosso roteiro, no caso, deixando pra percorrer esta parte por último, quando estaríamos mais preparados fisicamente e em dois dias de viagem, pra ir bem devagar, e sempre.

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Nos arrumamos rapidamente pra não nos atrasarmos pro nosso próximo transporte. O dia amanheceu frio e ensolarado mais uma vez, colorindo tudo ao redor. Já a postos, percebemos pelas vestimentas e acessórios que não éramos @s únic@s ciclistas da embarcação.

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Tentando conversar a linguagem universal das bicicletas descobrimos que as francesas haviam percorrido a Ilha de Chiloé e também já estavam encerrando a viagem. Ilha de Chiloé ficou registrada na memória pra um possível retorno a esta magnífica região.

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Já no barco ficamos observando o camping onde passamos a noite se afastar… Já pensou a energia de dormir sob as bençãos do Vulcão Osorno, do alto de seus 2652 metros???

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Vagarosamente fomos nos despedindo de umas belezuras, pra se aproximar de outras.

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E olha quem tava no pilot do barco???

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Como grandes referências, vamos observando picos congelados em várias direções. Abaixo já se vê o Vulcão Pontiagudo, com 2.493 metros de altitude.

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Dá pra imaginar como tava bom esse livro?

 

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E aqui um tequinho do Cerro Tronador, com 3.491 metros, do qual seguiremos nos aproximando no dia seguinte.

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Após 1h40 de navegação pelo Lago de Todos os Santos chegamos ao pequeno vilarejo de Peulla, um pequeno microcosmo de como funciona o capitalismo, com algumas vantagens pra seus moradores no que se refere a sossego e belezas naturais.

Todas as pessoas que vivem em Peulla são funcionárias da empresa Cruce Andina, bem como, todos os imóveis e comércios do local também são de propriedade desta empresa. Já na chegada, nos dirigimos ao luxuosíssimo hotel local, única opção de hospedagem. Não me recordo exatamente o valor da diária, mas era algo em torno de R$ 500,00, o que pra gente não era nem um pouco convidativo. Almoçamos no hotel, num restaurante também lindíssimo e caro, mas fomos procurar outra opção pra passar a noite.

Como já tínhamos lido outros relatos de viagens, sabíamos que os cicloturistas acampavam na sede do parque local (até porque, sendo o único local público, não tem como te expulsarem dali!), ou tentavam acolhida na casa de um dos moradores, o que teoricamente é vedado pela empresa…

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Preparando a bóia da noite.

Andamos pelo vilarejo observando a rotina e conversando aqui e ali, localizamos uma venda, depois fomos a casa de um *senhor fictício que alugaria quartos, mas ele negou a informação. Descobrimos uma senhora que fazia pães, e após comprarmos um pro nosso café da manhã, perguntamos se não haveria algum lugar pra passarmos a noite, pois o hotel era muito caro… bingo! A senhora, de nome e sorriso lindos iria nos acolher nesta noite. Combinamos que chegaríamos às 20h e ainda fomos convidados pra participar de uma churrascada que haveria à noite…

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Depois de jantarmos, aguardamos a hora de nossa entrada na estadia. Desde que chegamos à Peulla, um fato curioso aconteceu. Uma cachorra toda saltitante, conhecida por todos no local, de nome “Fani” ficou na nossa cola. Era a “perra” dos “carabineros”, nos diziam, e tinha chegado até ali acompanhando outros cicloturistas que vieram no caminho oposto ao nosso. Não entendíamos direito a história naquele momento…

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Quando chegou a hora, fomos até a residência que nos acolheria, ocuparíamos o quarto principal da casa e combinamos R$ 50,00 como pagamento. De 50 pra 500 e a concorrência entre moradores e hotel nos pareceu óbvia. No capitalismo é assim, é livre a concorrência desde que apenas um empresário que vive bem longe dali seja o único dono dos dividendos…

Tomamos banhos bemmmm quentinhos e fomos nos sentar à mesa com alguns alegres moradores de Peulla. Soubemos um pouco de suas vidas, seus sonhos de viajar pelo Chile e de vir ao Brasil só pra ver a Copa mesmo… Já havíamos jantado, então aceitamos um pouco do vinho pra nos integrarmos um pouco mais. Foi uma rica experiência.

De Petrohue a Peulla – 21/02/14 (sexta)

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Uma resposta em “Em grande estilo.

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