Retorno à Bariloche

Acordamos cedo novamente, estava bem frio, não podíamos perder o tempo da viagem, pois tínhamos o dia cronometrado.

Um amanhecer de cartão postal

Um amanhecer de cartão postal

O dia estava lindo, fico imaginando se as pessoas desse vilarejo acordam estressados algum dia?

Dar de cara com essa paisagem é um privilégio pra nós, imagina viver nesse lugar…

Olha que lugar

Olha que lugar

Quando chegamos ali fora vimos que nossa cã guardiã ainda estava lá, a nossa espera.

Fani correu conosco pela estrada, as vezes ia mais na frente, próxima a Ana, outras vezes ia mais perto de mim, mas com uma resistência enorme nos acompanhou de perto, mesmo quando pegávamos mais velocidade.

Uma boa cachoeira para refrescar

Uma boa cachoeira para refrescar

Quando paramos em uma cachoeira Fani mergulhou na água gelada para refrescar, mas mesmo na estrada, entrava em todas as poças que encontrava.

O mergulho de Fani

O mergulho de Fani

As vezes Fani entrava por uma cerca de arame e corria atrás das vacas, deixando todas apavorados, inclusive nós.

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Mas quando chegamos nos Guarda Parques tivemos uma surpresa desagradável, alguém havia nos falado que ela pertencia aos Carabineiros e assim que chegamos ela foi presa em flagrante, amarrada e levada pelos guardas que disseram que ela havia fugido a alguns dias atrás, pobre Fani, espero que em breve ela se solte novamente e volte para estrada, assim como nós também fazemos, de vez em quando.

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Chegamos na entrada de acesso ao Tronador, famoso vulcão na divisa entre o Chile e a Argentina – tem até um desenho dos anos 50 que fala sobre ele. Dizem que seu nome tem origem no barulho que faz durante o degelo, parecendo um trovão.

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Seguimos em ritmo acelerado, leves, sem a bagagem, que estava sendo levada pelo companhia de viagem.

Demos início a subida da Cordilheira, mais de mil metros de acensão, num trecho impedalável, uma ruazinha de terra, estreita e cheia de pedras, mesmo com a bike vazia empurramos com dificuldade por todo o caminho. Abaixo deixamos a altimetria, para ter uma ideia do paredão que tínhamos que subir.

altimetria

Morremos de inveja de um casal que cruzamos na estrada descendo de bike, fomos passados por alguns carros, ônibus e caminhões, até que por fim chegamos na divisa da Argentina.

Fronteira Chile e Argentina

Fronteira Chile e Argentina

Descemos o morro e mais um pouco chegamos na Duana, para apresentar nosso passaporte e esperar o próximo barco.

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Ficamos ali a toa, esperando começar a rotina de trabalho dos funcionários.

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Deitamos na grama, andamos na beira do lago e tiramos algumas fotos daquela água azul esverdeada de degelo.

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Cada lago tem uma cor diferente…

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Um mais bonito que o outro.

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Estávamos em Puerto Frias indo pra Porto Alegre chilena.

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Apresentamos nossa documentação, o ônibus chegou com os passageiros que dormiram no hotel e depois de toda burocracia esperamos o segundo barco chegar.

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Era um barco menor que o outro, que pegamos ontem, mas igualmente luxuoso.

O barco foi deslizando pela água esverdeada…

De volta ao barco

De volta ao barco

A paisagem sempre nos oferecendo uma nova pintura.

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Essa passagem era mais curta e tínhamos que nos preparar para sair correndo, pois ao aportar, havia um trecho de terra, de 3 km que os passageiros iriam fazer de ônibus e nós de bike, para pegar o terceiro barco da travessia.

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Mal o barco parou pegamos as bikes e saímos em disparada, era um trajeto pequeno, mas com um pouco de subida, no meio do percurso o ônibus com os passageiros nos passou, mas deu tempo, chegamos com as pessoas ainda embarcando. Ainda ofegantes iniciamos a travessia.DSC_1315

Subimos ao convés e o pessoal ficou fazendo aquela brincadeira de dar bolacha para as gaivotas que davam rasante a favor do vento, me lembrando Fernão Capelo Gaivota e pegando a bolacha na mão das pessoas.

Comemos um lanche e conversamos um pouco com um casal que insistiu que ficássemos no hotel em que estavam, segundo eles, a poucos quilômetros do porto de chegada.

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Chegamos no porto já anoitecendo, juntamos nossas tralhas e pegamos a estrada movimentada já de noite.

O hotel que o casal falou era próximo para quem vai de carro, mas para nós era bem longe, além disso, saía da estrada e nos fazia voltar um trecho.

Já havíamos ligado para alguns hotéis e estava tudo cheio, no caminho perguntamos em alguns lugares, mas não tinha vaga.

Num lampejo daqueles, Ana resolveu parar de repente e perguntar para um casal que passava no meio da escuridão, se conheciam algum lugar pra ficar. Imagina que absurdo, pensei eu, como alguém, nesse meio do nada vai conhecer algum lugar?

Mas, o casal indicou um lugar ali perto, numa travessa da estrada, uma grande casa toda de madeira, um lugar de sonho…

Ficamos num quarto coletivo, mas não tinha outros hospedes nele, as camas e paredes eram de troncos, tomamos banho, conversamos um pouco na sala e depois fomos dormir.

Distância: 36,20 km

Velocidade máxima: 31,8 km/h

Tempo: 5h22m

Total pedalado: 886,3 km

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Uma resposta em “Retorno à Bariloche

  1. Pingback: Sobre Lagos e Montanhas: pedal pela Patagônia entre Argentina e Chile | Ciclos, Letras e Quintais…

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