Viagem Intermodal: de Cananéia a Torres

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Diário de Bordo (nem tão à bordo assim…)

Considerações Finais

Sem dúvida, uma grande viagem que deve ser realizada! Ficamos muito felizes por a termos feita.

Das maiores descobertas, recomendamos a Hospedagem Solidária em primeiro lugar! Além de baratear a viagem, a experiência de compartilhar com as pessoas dos lugares por onde passamos é ótima! Depois dessa viagem já recebemos em nossa casa um austríaco e um casal de belgas, e é igualmente ótimo compartilhar alguns momentos com quem está viajando por nossas terras. Então vai lá e registre-se: https://pt.warmshowers.org/

Outra questão que esteve presente em vários momentos da viagem são sobre a alimentação. Alimentação saudável, Veganismo, Slow Food. E estas idéias estão presentes em todos os nossos dias agora…

Mais uma vez agradecemos à tod@s que tornaram essa viagem possível!

Fim da viagem…

Acordamos de madrugada, a perua nos levou ao aeroporto.

Pela primeira vez resolvemos entregar as bicis sem malabike, era domingo e nossa ideia era chegar em São Paulo e pegar o metrô.

Levamos alguns alforges na mão para não pagar excesso de bagagem e embarcamos.

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O voo foi tranquilo e rápido. Só que a estratégia de enviar a bicicleta sem malabike não deu certo, a roda dianteira da bici de Ana veio torta como um 8. Tentamos reclamar, mas nos mostraram um formulário com letras miúdas que dizia que já que elas não estavam embaladas conforme as normas, nós eramos responsáveis pelos danos.

Assim, sem condições de pedalar alugamos um carro até nossa casa em Mauá.

No total da viagem pedalamos 946,83 quilômetros em 32 dias de pedal, percorremos os 99 km de litoral do Paraná e o restante foi por todo litoral de Santa Catarina, e assim, cruzamos os dois estados.

Ufa… terminamos os relatos…

Que eu tô voltando pra casa!

Chegamos com bastante tempo na rodoviária pra embalar as bicis, comprar uns lanchinhos e ficarmos sossegados.

De busão também vai bem!

De busão também vai bem!

Pouco mais de 2 horas de viagem, ar condicionado nos protegendo do sol, paisagens rápidas pela janela, que de pouco em pouco foi nos mostrando a enorme cidade. Estávamos meio apreensivos pois nem tínhamos onde ficar. Única coisa é que nosso embarque seria na madrugada e teríamos que ir de carro ao aeroporto, quem sabe já deixar as bicicletas por lá, mas o mais difícil mesmo foi desembarcar…

Fomos chegando na muvucada rodoviária e demos graças a Deus que o ônibus estacionou bem pertinho de um banco vazio. Todo mundo desceu e após reunir toda nossa tralha, ficamos meio perdidões sem saber o que fazer: não seria melhor chamar um táxi pra nos levar pra um hotel? Por as bikes no guarda volume da rodoviária até sabermos onde ficaríamos ou montá-las e sairmos pedalando por aí? Sem muita certeza de nada, começamos a montar nossas bicicletas. Tava tudo indo bem até que um funcionário apareceu e disse que não poderíamos ficar naquele local. Lá fora havia um mar de gente e esclarecemos que seria difícil pra gente por tudo no lugar, mas não teve jeito, aquele era o banco dos funcionários e eles queriam se sentar naquele instante.

Despejados do banco, fomos pro meio do povão e entre muitos esbarrões conseguimos montar as bicicletas, ufa! É impressionante como as pessoas se empurram e atropelam nas cidades grandes. Entre tantos olhares contrariados com a nossa presença, só um homem quis saber o que fazíamos ali com nossos bicicletas carregadas. Falamos que estávamos terminando uma grande viagem, e que aviamos saído lááááá de São Paulo pra chegar ali… ele contou nossa façanha pra sua companheira e até que enfim algum olhar menos reprovador pra gente. Estávamos morrendo de fome e encostamos numa lanchonete ali na rodoviária mesmo, um olho no “peixe”, outro nas bicis.

De barriga cheia, marcamos o aeroporto no GPS e saímos. De início empurramos as bikes pelas ruas, até achar alguma mais pedalável. A cidade estava vazia e fomos prestando atenção nos hotéis que passávamos pelo caminho. Em um Hostel o Flávio até perguntou o preço, que bem caro, não nos animou, e seguimos até o aeroporto, que chegou mais rápido do que imaginávamos.

Aproveitamos e já fizemos nosso check in, e fomos no setor de informações perguntar sobre os hotéis mais próximos e baratos que haviam ali por perto. É claro que não haviam hotéis baratos por ali, mas um nos interessou, pois tinha uma perua que nos levaria pro hotel, e depois novamente pro aeroporto, com preço incluso na diária! Opa, assim facilita nossa vida!

Esperamos a perua e rumamos pro hotel, cozinhamos um macarrão muquiados no quarto e umas 5 horas da tarde já estávamos prontos pra uma tarde/ noite de sono… Só alegria!

Pra levantar as 3h, nada melhor que ir dormir às 17h.

Pra levantar as 3h, nada melhor que ir dormir às 17h.

Dia 31: 22/12/12 – Sábado

Torres

Acordamos, tomamos café com aquela sensação de dever cumprido, havíamos cumprido nossa meta, para chegar em Porto Alegre era só mais 70 km, mas não precisávamos, não queríamos pedalar por uma grande cidade.

Saímos da barraca e fomos conhecer o Parque das Torres, estava meio abandonado, com pouca estrutura, mas a natureza era impressionante como sempre…

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Haviam 3 torres, subimos primeiro a da esquerda, por uma escada de pedra…

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De lá avistávamos a praia que fomos ontem e uma paisagem deslumbrande…

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De lá descemos e fomos para a torre da direita…

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A grandeza da pedra que atravessa o tempo, a mesma estrutura aqui durante séculos…

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Em seguida a praia que desce pelo Rio Grande do Sul em direção ao Chuí…

DSC_0551Passamos no camping, almoçamos e fomos para a cidade, compramos a passagem para Porto Alegre, passeamos pela cidade e jantamos em uma pizzaria.

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Mais uma fronteira

Ultimo dia de pedal!!! Puxa vida, nunca pedalamos tanto!

Ajeitando as muambas nas bicis para partir mais uma vez!

Ajeitando as muambas nas bicis para partir mais uma vez!

Saímos do hotel com aquela calma de missão quase cumprida. Ficar em hotel facilita algumas coisas. Café da manhã posto à mesa, nada de barraca pra desarmar…

Já estávamos perto da rodovia e por ela seguimos nosso caminho com destino a Torres, já no Estado do Rio Grande do Sul. O dia estava tão quente que nos fez lembrar o solzão do Paraguay. Até a estratégia de molharmos as roupas pra aliviar um pouco utilizamos, o que nos dava uns minutinhos de frescor. Uma diferença por aqui é que venta um pouquinho mais… nem que seja o vento artificial provocado pelos caminhões…

Antes...

Antes…

Depois...

Depois…

Na entrada da cidade, que é bem grandinha, paramos pra refazer as energias e pensar melhor nossa estadia. Enchemos a pança com açaí e afins e localizamos um camping bem próximo ao Parque da Guarita, que queríamos conhecer na cidade.

Já localizados fomos conhecer a praia, mar agitadíssimo anunciava um vendaval para a noite. No camping, todo mundo quer emprestar pra gente uma lona pra por sobre a barraca, mas a bichinha é boa e agüenta bem.

Próximo do muro pra proteger do vento.

Próximo do muro pra proteger do vento.

Lavar louça todo dia, que agonia...

Lavar louça todo dia, que agonia…

Preparamos a janta na cozinha do camping e fomos pra lençóis, digo, sacos de dormir…

Dia 29: 20/12/12 – Quinta-feira

Estatísticas do Pedal:

*Distância: 66,65 Km

*Velocidade Média: 17 Km/h

*Velocidade Máxima: 39,1 Km/h

*Calorias: 824,2

*Tempo de pedal: 3h 54min

*Total: 937,13 Km

Um encontro inusitado

Acordamos no pequeno chalé, tiramos algumas fotos e não houve tempo nem para um mergulho.

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Encontramos muitos amigos animais nessa viagem, essa foi mais uma deles…

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Pegamos a saída para a estrada com vontade de voltar…

A meta era chegarmos em Araranguá e estava bem longe.

Em nosso planejamento, pensamos em ficar em uma hospedagem solidária na Casa Colmeia, mas precisávamos ter chegado alguns dias antes, para participar de um curso de permacultura que eles estariam realizando, mas como fomos atrasando a viagem avisamos que não daria tempo de chegar.

Estávamos passando em Jaguaruna falando da Casa Colmeia, quando na rua vimos uma figura conhecida, paramos as bicis perto dele, era inacreditável, o Rogério, um amigo de Ribeirão Pires sentado na calçada esperando o ônibus.

Para nós Rogério é um ING – Indivíduo Não Governamental, envolvido com umas tantas causas, o conhecemos quando era percussionista da Banda Kah-Hum-Kah, uma das melhoras bandas que já vimos.

Mais recentemente participamos com ele do Projeto Gaiola Atmosférica em Ribeirão Pires.

Foi o encontro mais inusitado da viagem, conversamos um pouco, ele participou do curso na Casa Colmeia e estava indo pra casa.

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Nos despedimos e sebo nas canelas, pegamos a estrada e com vento a favor percorremos 91,91 km, pedalamos o dia todo e entramos na cidade em busca de um hotel, andamos por vários locais pesquisando preços, no fim ficamos em um hotel em frente uma grande praça movimentada.

Dia 28: 19/12/12 – Quarta-feira

Estatísticas do pedal:

*Distância: 91,91 Km

*Velocidade Média: 16,2 Km/h

*Velocidade Máxima: 47,9 Km/h

*Calorias: 1278,0

*Tempo de pedal: 5h 38min

*Total: 870,43 Km

Pie detrás de pie, no hay otra manera de caminar…

Nossa proposta para o dia era chegar até a praia do Rosa… Se bem que estava tão gostoso aquele camping que poderíamos ficar mais um dia… Mas Flávio acordou com uma proposta inusitada: que tal pedalarmos bastante e tentar ao menos entrar no Rio Grande do Sul? Eu bem que estava querendo conhecer Torres, e então deixamos algumas praias de lado e miramos pro Farol de Santa Marta como um bom destino para o dia.

Desmontamos acampamento nos preparando para um longo dia de pedal. Nos despedimos do Marcelo, ciclista e viajante que encontramos no camping, que ainda nos deu uns gelzinhos pra animar a pedalada e partimos.

Fomos direto pra BR pra tentar manter uma velocidade maior. De certa forma é bom ver o velocímetro girar mais rápido, estar num asfalto lisinho, mas um caminhão caído da ponte nos faz lembrar da guerra que vivemos nas estradas… Em dado momento, a pista se estreita e torna-se de mão dupla. Os caminhões passam a todo vapor e nos dão um “empurrãozinho”, isso quando não resolvem parar no acostamento, que de tão estreito, também nos faz parar e ficar esperando o melhor momento pra entrar na pista.

E para caminhão, e para caminhão, mas que tanto esses caminhões param! O dia estava muito quente e os caminhoneiros paravam pra comprar um suco que várias pessoas vendiam no acostamento. Era de uma frutinha amarelinha que esqueci o nome mas que também, vencidos pelo cansaço, resolvemos experimentar. O suco estava geladinho e muito bom, e enquanto apreciávamos a bebida avistamos outro cicloturista na estrada paralela. Acenos alvoroçados de loucos que se conhecem pela traia que carregam, ele era argentino e estava muito cansado do trânsito caótico da estrada ao que o alegramos informando que logo a estrada melhoraria. Não me recordo o nome, mas uma característica sua nos chamou atenção, pois ele não possuía um braço, e se utilizava de uma prótese muito simples.

Seguimos viagem passando pela cidade de Anita Garibaldi, mas sem muito tempo pra conhecer sua história. Fizemos algumas compras de comida e protetor solar que nos faltava e receávamos não encontrar no farol, e seguimos pegar uma balsa.

Após a balsa a coisa piorou um pouco pro nosso lado, pois uma obra tinha deixado o que se chamava de rua num areião só. Seguimos escorregando pra lá e pra cá até que meu pneu traseiro se mostrou furado… Ah não! Faltava tão pouco e estava tão cansada que queria chegar de qualquer jeito! tentamos a estratégia do Flávio encher meu pneu e eu sair que nem louca pedalando até muchar de novo… Mas Flávio me convenceu que era melhor consertar de vez…

Enquanto conversávamos um rapaz que se disse ciclista encostou o carro próximo e puxou conversa, sugerindo que fôssemos ver o farol à noite, que seria bem bonito. Pneu consertado, partimos e agora era pra chegar! Só que não tão rápido assim… quanto mais perto da vila, mais o areião tomava conta e se abria em vários caminhos formados pelos carros. Mas nem ligamos muito, o cenário era fantástico! Parecia que estávamos em outro planeta.

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Enfim chegamos na vila e preferimos um quarto ao acampamento. Cozinhamos e ainda nos animamos pra ver o farol. Só que já na saída um carro da polícia abordava uns rapazes… um clima extranho pairava no ar… ruas vazias e escuras, mesmo assim subimos um pouco e perguntamos num bar como chegar ao farol, mas eu estava com medo e preferimos voltar pra casa e descansar…

Farol só de longe...

Farol só de longe…

Dia 27: 18/12/12 – Terça-feira

Estatísticas do pedal:

*Distância: 81 Km

*Velocidade Média: 14,9 Km/h

*Velocidade Máxima: 38 Km/h

*Calorias: 883,3

*Tempo de pedal: 5h e 26min

*Total: 778,53 Km

 

Guarda do Embaú

Acordamos naquele visual bonito, em dúvida se ficávamos mais um pouco, mas avaliamos que os dias de férias estavam acabando, esse era o 26º dia, era hora de por sebo nas canelas.

O lugar era realmente bonito, uma vilinha com cara de woodstock, com bares e lojas de artesanatos.

Andamos um pouco por uma trilha vendo os barcos que transportavam as pessoas até a praia. Nesse trecho não havia como ir caminhando até a praia, talvez na maré baixa.

Pela trilha avistávamos a praia e o mar de um azul turquesa.

Nos despedimos com vontade de voltar um dia, arrumamos os alforges e tocamos em frente, seguimos um trecho de estrada e saímos em direção ao Morro do Siriú, seguindo o GPS e parando para perguntar.

Subimos o morro mais empurrando que pedalando… o sol forte derretendo os poucos miolos que nos sobraram…

A subida ia enrolando no morro, mas a vista valia a pena…

Depois disso veio a descida, sempre curta perante a subida.

Quando a fome apertou encontramos um bar fechado com banheiro, chuveiro de água do rio e mesas para o almoço, fora a paisagem.

Mais um pouco de sol, estrada e poeira chegamos a Garopaba, cidade turística e movimentada.

Encontramos um Camping em frente o mar, o preço um pouco salgado, mas com boa infra-estrutura, área com churrasqueira, pia, fogão, geladeira e mercado. O melhor que já ficamos no Brasil.

Montamos nossa grande barraca e fomos fazer o almoço.

Depois fomos a praia para um mergulho, uma caminhada e um cochilo na areia.

Mais um quintal, longe e perto de casa…


Dia 26: 17/12/12 – segunda-feira

Estatísticas do pedal

*Distância: 33,63 Km

*Velocidade Média: 11,4 Km/h

*Velocidade Máxima: 29,5 Km/h

*Calorias: 313,6

*Tempo de pedal: 2h 55 min

*Total: 697,53 Km