Na frieza da estrada…

Pensamos em estratégias para prosseguirmos viagem, ontem Ana foi até a rodoviária de Coronel Oviedo para ver a distância e constatou que era longe pra ir empurrando a bike, podíamos desmontá-las, colocá-las nas malas-bike e levá-las de táxi, mas nesse caso, ficaríamos com várias malas para carregar, enquanto que com as bikes montadas com os alforges só tínhamos as mesmas para empurrar. Pensamos em pedir um táxi e ver se conseguíamos colocar minha bike dentro.

Tomamos o café no hotel, deixamos o que sobrou de nossas compras com as meninas da recepção, não iríamos mais cozinhar, pagamos a conta e chamamos o táxi, o motorista foi atencioso, tentou colocar a bike no porta-malas, depois no banco traseiro e nada, dessa forma não havia outro jeito, Ana teria que ir pedalando as duas bikes, deixamos a minha no hotel, colocamos todas as malas no táxi, entrei no táxi e Ana foi com sua bike.

O táxi chegou rapidamente na rodoviária, procurei um banco para sentar, o motorista ficou esperando, quando Ana chegou deixou a bike comigo e voltou com o táxi para o hotel. Fique lá observando o movimento das pessoas e dos ônibus, vendedoras e vendedores circulando de-lá-pra-cá, com lanches, refrigerantes, bijuterias, relógios e tudo mais.

Ana voltou com minha bike, estava exausta, meu quadro era alto e ela não conseguia pedalar sentada, pedalava em pé e sentava nas descidas. Achávamos que o motorista do táxi iria nos enfiar a faca, mas não, apesar de não ter taxímetro nos cobrou um valor modesto. Compramos as passagens até Asunción, um rapaz da companhia ajudou com as bikes e quando o ônibus chegou ajudou a colocá-las nas bodegas.

O ônibus era confortável, com dois andares, fomos no andar de cima e boa parte da viagem fomos no primeiro banco vendo os acostamentos. Estranho como andar de bicicleta muda a perspectiva da viagem, naquele ônibus nem parecia que estávamos na estrada, era como estar em casa assistindo a televisão, não sentíamos o calor, o vento, os cheiros, tudo passando rapidamente pelas janelas do ônibus.

A paisagem era composta por muitas áreas rurais, fazendas imensas para poucas vacas e bois.

Chegamos na rodoviária, colocamos as coisas nas bikes, almoçamos, percebemos que os preços de Asunción eram mais altos que nas demais cidades, muitos preços, inclusive, eram em dolar.

Deixamos as bikes no guarda-volumes e fomos de ônibus até o aeroporto, usamos dois ônibus de linha.

O aeroporto era pequeno, subimos até o saguão e fomos ver se tinham passagem para São Paulo, na TAM fomos informados que não tinham mais passagens nem pra sexta, nem pra sábado. O preço para domingo era de oitocentos dólares por passagem. Haviam outras passagens, mas o vôo era de 16 horas, já que passava por Buenos Aires antes de ir para São Paulo.

Sentamos em um gostoso café próximo ao saguão lotado de brasileiros e acessamos a internet em busca de informações. Todos ali eram estudantes indo para o Brasil, uma fila enorme para embarque.

Pensamos em ir até Foz e pegar um avião lá, mas achamos que seria uma dificuldade levar as bikes para o hotel, depois para o aeroporto, seria muito complicado. Achamos que o melhor seria pegar um ônibus de Asunción à São Paulo, pela internet vimos um ônibus da empresa Puma, que saía no sábado ao meio dia. As bikes já estavam lá na rodoviária mesmo, seria tudo mais fácil.

Alugamos um carro ali no aeroporto, por 3 dias, ficou bem caro, mas foi o jeito. Saímos pela cidade, olhando pelo GPS e buscando pelos hotéis. Andamos por vários hotéis e os preços eram em dólar ou caros, mesmo em guarani. No centro velho encontramos um hotel que gostamos, confortável e num preço razoável. Reservamos por 3 dias.

Fomos até a rodoviária, perguntamos o preço para deixar as bikes na própria rodoviária e achamos que o preço era justo, pela economia de trabalho. Levamos os alforges, chegamos no hotel já tarde da noite. O estacionamento era na rua de baixo, guardamos o carro e fomos descansar.

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