Balneário Camboriú

A Camboriú de minhas lembranças, de 20 anos atrás, era uma cidade litorânea pequena, mas a de agora era uma loucura, enorme, com prédios por todos os lados, lotada de pessoas no calçadão e na areia.

é difícil...

é difícil…

Saímos do hotel com as bicis e fomos pela praia, revezamos um mergulho no mar concorrido.

Fomos ao shopping e ficamos na lan house pesquisando um lugar para ficar em nossa próxima parada, Bombinhas. Almoçamos. Ana pegou o endereço de sua prima Ana Milda e pedalamos até lá, uns poucos quilômetros dali. Chegamos em seu apartamento um pouco sem graça, conhecemos os seus filhos, Amanda e João, depois, chegou Jota, demorou mais um pouco e já estávamos conversando como velhos conhecidos.

Saímos todos para levar Amanda a Faculdade, depois passamos no mercado e voltamos.

No fim da tarde Jota desceu para lavar a piscina, acabamos entrando pra refrescar do calor que fazia.

Depois subimos e comemos um delicioso jantar… apesar da camisa provocativa que Jota usou, se não bastasse a camisa do Chelsea (ainda não havia ocorrido a final do campeonato mundial), ainda foi se trocar para vir com a camisa do Palmeiras.

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Antes do jantar fizemos orações que nos emocionaram.

Dia 16: 07/12/12 – sexta-feira

Descompensando…

Saímos de Barra Velha com dia bastante quente, já anunciando os calorões mais profundos do verão. Mal andamos uns 500 metros e o pneu do Flávio resolveu furar… Ok, a paciência é a melhor aliada nestas horas e ainda estávamos só no início do dia. Pra melhorar ainda, um ciclista nos abordou para conversarmos. Era o Jairo, cicloturista experiente que saiu de de Santa Catarina e só parou no Macapá, numa viagem de 6 meses pelo litoral brasileiro.

Encontro com cicloturista Jairo

Encontro com cicloturista Jairo

Pneu consertado, saímos, sempre procurando nos manter o mais próximo possível do litoral. Muito embora essa alternativa seja mais tranquila, ela é bem mais lenta, uma vez que por vezes, esses caminhos tem relevo bem mais acentuado… mas agente pode se deparar com vistas bem bacanas, como esta:

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Neste dia, a partir de Balneário Piçarras, percorreríamos parte do Circuito de Cicloturismo “Costa Verde e Mar”, o que, por algum motivo que não sei qual, me fez acreditar que estaríamos em ambiente mais amigável às bicicletas… que baita engano…

Os ainda iludidos cicloturistas felizes!

Os ainda iludidos cicloturistas felizes!

O dia vinha ensolarado e nós “lentos e amorosos”, como diria nosso amigo Rodolfo Barbosa…

Passamos pelo Parque do Beto Carreiro e eu fiz uma foto pra mandar pra minha professora Iraci, com quem estive no Parque a alguns muitos anos atrás, vim de novo, só que desta vez pedalando! Muito mais emocionante…

Eu e Beto em nossos cavalos de ferro.

Eu e Beto em nossos cavalos de ferro.

Largamos as emoções do parque pra outra ocasião e seguimos à base de pão com mortadela, já passava do meio dia e o solzão estava à pino.

Chegamos numa estrada beira mar, que corre ao longo de uma reserva. Neste local preservaram a mata nativa, ou seja, não há construções, calçadão, quiosque, nada disso. Para chegar até a praia você deve seguir por uma passarela de madeira.

Vínhamos tranquilos ao longo da via, que embora sem acostamento, tinha um baixo número de veículos circulando, o que facilitava para estes a nossa ultrapassagem. Só que não. Nem sempre o bom senso impera entre os motoristas, e um motorista de ônibus, resolveu “nos dar uma lição”, porque? Eis a pergunta: porque? Sabe-se lá Deus, talvez quisesse estar passeando ao invés de trabalhando, sei lá. O que sei é que levamos a maior fina da viagem…

Ele passou em alta velocidade, e mesmo podendo se afastar da gente, porque não vinha carro na outra direção, resolveu tirar aquela fina assassina, uma espécie de roleta russa do trânsito. Pra mim que vou na frente do comboio, acho que é ainda pior, porque quando o motorista do ônibus passa com a dianteira do veículo, esquece que tem mais uns metros dele pra trás e assim, o infeliz quase me jogou no acostamento de terra e esburacado, o que seria um tombo na certa.

Felizmente os anjos protetores dos cicloturistas estavam a postos e “nada” aconteceu. Ficamos muito chatead@s, eu em especial, e decidimos seguir pela calçada da contramão. Era uma calçada de umas pedras grandes e soltas e nossa velocidade caiu pela metade.

Neste ânimo, só parando pra comer uma maça...

Neste ânimo, só parando pra comer uma maça…

Mas as mazelas da cidade grande estavam só começando, em tão pouco tempo, será que já tínhamos esquecido?

Balsa entre Navegantes e Itajaí: Caos à vista.

Balsa entre Navegantes e Itajaí: Caos à vista.

Em meio ao caos urbano das proximidades de Balneário Camboriú, fomos nos esgueirando pelas calçadas, empurrando as bicicletas pelos morros e chegando à praia principal da cidade. Era tarde, não havia mais motivação pra seguir em frente e começamos a procurar onde ficar: um camping que já não existe mais (no local mais um imenso prédio vai surgir), hotéis caros, praia abarrotada, água de côco a 5 pilas. Cansamos de procurar e acabamos ficando num hotel bem caro.

Já instalados, descompensei. Mas que merda.

Cessão de trimiliques; quero ir embora; será que meu pai pode vir nos buscar?; tem avião daqui não tem? Ônibus? Jegue? Bicicleta? Não deve ser atôa que casei com um psicólogo.

E então retomamos um projeto antigo, ficar na casa de uns primos meus que eu mal conhecia. Liguei pra minha mãe, que ligou pra minha tia, que ligou pra sua filha e que falou que tudo bem. À princípio, nossos planos era passar direto por Balneário Camboriú e acampar mais à frente, como já havíamos lido nos relatos de nossos antecessores, mas dado o andar da carroagem, ficamos.

É melhor dormir, amanhã agente vê.

Dia 15: 06/12/12 – quinta-feira.

Estatísticas do pedal

*Distância: 61,43 km

*Velocidade Média: 11,8 km/h

*Máxima: 30 km/h

*Calorias: 549,8

*Tempo de pedal: 5h 11min

*Total: 462,7 km