Considerações Finais

Passados mais de dois anos de nossa viagem pelo norte da Patagônia, entre Argentina e Chile, pensamos que não conseguiríamos chegar ao final dos relatos. Como sempre afirmamos, os relatos de viagens, para além de uma recordação pessoal, também ajudam, pensamos, outras pessoas a organizarem e se encorajarem a viajar de bicicleta. É assim que muitas iniciamos nossas viagens, vendo fotos e lendo relatos de outras pessoas.

Mas não poderíamos deixar essa viagem de lado, foi sem dúvida, a viagem de paisagens mais incríveis! Não podemos dizer que foi nossa melhor viagem, pois todas tem seu gostinho especial, mas essa vence a categoria de belezas cênicas… rsrs

Passado tanto tempo, é fato que não nos lembramos de tantos detalhes, mas sem dúvida a dica mais importante é o fato de termos conseguido cruzar esses caminhos, e muitos que tiverem o mesmo interesse, também poderão fazê-lo. E isso é o mais bacana do cicloturismo, ser acessível física e financeiramente para um maior número de pessoas, que outras viagens mais convencionais.

Na fronteira

Obs: o último dia de pedal foi do centro de Bariloche até o aeroporto, um pedal de 15 km sem muitas novidades, e os trâmites de embarque já conhecidos.

Alguns números dessa viagem:

Dias de viagem: 29

Total de quilômetros pedalados: 920,8 km

Gastos: sem contar as passagens, estávamos preparados pra gastar R$ 200,00 por dia, o que seria possível, tendo dias de hospedagem em hotéis e também acampando. Comendo em restaurante e também cozinhando a própria comida. Ficando em locais bem simples e comendo pão com mortadela na praça e passeando de barco e fazendo massagem pra relaxar. Passamos só um pouquinho do planejado, e gastamos um total de R$ 6.706, 75. Dá pra gastar menos, e viajar mais, quem sabe um dia…

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Voltando a sonhar.

Quando viajamos, ficamos perfeitamente conectados com o presente. Embora a cabeça passeie faceira entre visitas ao passado e vislumbres do futuro, o cálculo de força pra vencer uma subida, a procura de uma sombra de árvore agradável para o lanche e a garantia que tem água suficiente até a próxima parada preenchem o dia de atividades.

Nesta viagem, como em todas, fizemos muitos planos. “Casar ou comprar uma bicicleta?”

Nossa última estadia foi um desses lugares que nos inspiram a sonhar com outros trabalhos possíveis para nós. O cara construiu uma hospedagem no estilo “hostel”, com quartos super ajeitados de até 4 pessoas, banheiros coletivos, super ajeitados, e um espaço de convivência que, na sua elegância, só podia tocar música brasileira da melhor qualidade. Além da hospedagem, ele aluga bicicletas e planeja o melhor roteiro para os que querem conhecer a região com as magrelas. Muito, muito legal.

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Deixamos o Hostel Refúgio Cordillera sem pressa alguma, pra percorrermos mais 20 km que nos deixariam no centro da cidade. Ainda bem que não tivemos que percorrer este trecho à noite, e ficamos tão bem hospedados, pois não havia acostamento e os motoristas se comportam mal, não respeitando nossa existência.

Chegamos ao centro e ficamos num hotel com vista pro lago, pra comemorar nossa última estadia nesta grande viagem.

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Obrigada por se comportar tão bem!

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Carregada de flores!

Enquanto apreciávamos nossos meios de transporte, já na calçada do hotel, pudemos observar perplexos um casal de ciclistas que iam no sentido contrário. Uma mulher à frente não pedalava sozinha, estava acompanha em sua tandem por uma menina de uns 10 anos de idade. Atrás vinha um homem puxando um pequeno trailer com mais uma criança dentro…

Ok. Já podemos casar e ter uma prole. Só não pedala quem não quer…

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Últimos recuerdos de Bariloche!

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Partindo e já querendo voltar…

Dia 28 – 23/02/14 – Até o centro de Bariloche

Estatísticas do Pedal:

Distância: 20,18 km

Velocidade Média: 13,2 km/h

Velocidade Máxima: 32,4 km/h

Tempo: 1h 31 min

Total: 906,5 km

Retorno à Bariloche

Acordamos cedo novamente, estava bem frio, não podíamos perder o tempo da viagem, pois tínhamos o dia cronometrado.

Um amanhecer de cartão postal

Um amanhecer de cartão postal

O dia estava lindo, fico imaginando se as pessoas desse vilarejo acordam estressados algum dia?

Dar de cara com essa paisagem é um privilégio pra nós, imagina viver nesse lugar…

Olha que lugar

Olha que lugar

Quando chegamos ali fora vimos que nossa cã guardiã ainda estava lá, a nossa espera.

Fani correu conosco pela estrada, as vezes ia mais na frente, próxima a Ana, outras vezes ia mais perto de mim, mas com uma resistência enorme nos acompanhou de perto, mesmo quando pegávamos mais velocidade.

Uma boa cachoeira para refrescar

Uma boa cachoeira para refrescar

Quando paramos em uma cachoeira Fani mergulhou na água gelada para refrescar, mas mesmo na estrada, entrava em todas as poças que encontrava.

O mergulho de Fani

O mergulho de Fani

As vezes Fani entrava por uma cerca de arame e corria atrás das vacas, deixando todas apavorados, inclusive nós.

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Mas quando chegamos nos Guarda Parques tivemos uma surpresa desagradável, alguém havia nos falado que ela pertencia aos Carabineiros e assim que chegamos ela foi presa em flagrante, amarrada e levada pelos guardas que disseram que ela havia fugido a alguns dias atrás, pobre Fani, espero que em breve ela se solte novamente e volte para estrada, assim como nós também fazemos, de vez em quando.

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Chegamos na entrada de acesso ao Tronador, famoso vulcão na divisa entre o Chile e a Argentina – tem até um desenho dos anos 50 que fala sobre ele. Dizem que seu nome tem origem no barulho que faz durante o degelo, parecendo um trovão.

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Seguimos em ritmo acelerado, leves, sem a bagagem, que estava sendo levada pelo companhia de viagem.

Demos início a subida da Cordilheira, mais de mil metros de acensão, num trecho impedalável, uma ruazinha de terra, estreita e cheia de pedras, mesmo com a bike vazia empurramos com dificuldade por todo o caminho. Abaixo deixamos a altimetria, para ter uma ideia do paredão que tínhamos que subir.

altimetria

Morremos de inveja de um casal que cruzamos na estrada descendo de bike, fomos passados por alguns carros, ônibus e caminhões, até que por fim chegamos na divisa da Argentina.

Fronteira Chile e Argentina

Fronteira Chile e Argentina

Descemos o morro e mais um pouco chegamos na Duana, para apresentar nosso passaporte e esperar o próximo barco.

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Ficamos ali a toa, esperando começar a rotina de trabalho dos funcionários.

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Deitamos na grama, andamos na beira do lago e tiramos algumas fotos daquela água azul esverdeada de degelo.

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Cada lago tem uma cor diferente…

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Um mais bonito que o outro.

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Estávamos em Puerto Frias indo pra Porto Alegre chilena.

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Apresentamos nossa documentação, o ônibus chegou com os passageiros que dormiram no hotel e depois de toda burocracia esperamos o segundo barco chegar.

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Era um barco menor que o outro, que pegamos ontem, mas igualmente luxuoso.

O barco foi deslizando pela água esverdeada…

De volta ao barco

De volta ao barco

A paisagem sempre nos oferecendo uma nova pintura.

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Essa passagem era mais curta e tínhamos que nos preparar para sair correndo, pois ao aportar, havia um trecho de terra, de 3 km que os passageiros iriam fazer de ônibus e nós de bike, para pegar o terceiro barco da travessia.

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Mal o barco parou pegamos as bikes e saímos em disparada, era um trajeto pequeno, mas com um pouco de subida, no meio do percurso o ônibus com os passageiros nos passou, mas deu tempo, chegamos com as pessoas ainda embarcando. Ainda ofegantes iniciamos a travessia.DSC_1315

Subimos ao convés e o pessoal ficou fazendo aquela brincadeira de dar bolacha para as gaivotas que davam rasante a favor do vento, me lembrando Fernão Capelo Gaivota e pegando a bolacha na mão das pessoas.

Comemos um lanche e conversamos um pouco com um casal que insistiu que ficássemos no hotel em que estavam, segundo eles, a poucos quilômetros do porto de chegada.

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Chegamos no porto já anoitecendo, juntamos nossas tralhas e pegamos a estrada movimentada já de noite.

O hotel que o casal falou era próximo para quem vai de carro, mas para nós era bem longe, além disso, saía da estrada e nos fazia voltar um trecho.

Já havíamos ligado para alguns hotéis e estava tudo cheio, no caminho perguntamos em alguns lugares, mas não tinha vaga.

Num lampejo daqueles, Ana resolveu parar de repente e perguntar para um casal que passava no meio da escuridão, se conheciam algum lugar pra ficar. Imagina que absurdo, pensei eu, como alguém, nesse meio do nada vai conhecer algum lugar?

Mas, o casal indicou um lugar ali perto, numa travessa da estrada, uma grande casa toda de madeira, um lugar de sonho…

Ficamos num quarto coletivo, mas não tinha outros hospedes nele, as camas e paredes eram de troncos, tomamos banho, conversamos um pouco na sala e depois fomos dormir.

Distância: 36,20 km

Velocidade máxima: 31,8 km/h

Tempo: 5h22m

Total pedalado: 886,3 km

Em grande estilo.

Acordamos cedo pra deixar tudo organizado pro nosso embarque. A parte chique da viagem ia começar e foi crucial para escolhermos o sentido do nosso roteiro, no caso, deixando pra percorrer esta parte por último, quando estaríamos mais preparados fisicamente e em dois dias de viagem, pra ir bem devagar, e sempre.

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Nos arrumamos rapidamente pra não nos atrasarmos pro nosso próximo transporte. O dia amanheceu frio e ensolarado mais uma vez, colorindo tudo ao redor. Já a postos, percebemos pelas vestimentas e acessórios que não éramos @s únic@s ciclistas da embarcação.

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Tentando conversar a linguagem universal das bicicletas descobrimos que as francesas haviam percorrido a Ilha de Chiloé e também já estavam encerrando a viagem. Ilha de Chiloé ficou registrada na memória pra um possível retorno a esta magnífica região.

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Já no barco ficamos observando o camping onde passamos a noite se afastar… Já pensou a energia de dormir sob as bençãos do Vulcão Osorno, do alto de seus 2652 metros???

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Vagarosamente fomos nos despedindo de umas belezuras, pra se aproximar de outras.

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E olha quem tava no pilot do barco???

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Como grandes referências, vamos observando picos congelados em várias direções. Abaixo já se vê o Vulcão Pontiagudo, com 2.493 metros de altitude.

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Dá pra imaginar como tava bom esse livro?

 

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E aqui um tequinho do Cerro Tronador, com 3.491 metros, do qual seguiremos nos aproximando no dia seguinte.

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Após 1h40 de navegação pelo Lago de Todos os Santos chegamos ao pequeno vilarejo de Peulla, um pequeno microcosmo de como funciona o capitalismo, com algumas vantagens pra seus moradores no que se refere a sossego e belezas naturais.

Todas as pessoas que vivem em Peulla são funcionárias da empresa Cruce Andina, bem como, todos os imóveis e comércios do local também são de propriedade desta empresa. Já na chegada, nos dirigimos ao luxuosíssimo hotel local, única opção de hospedagem. Não me recordo exatamente o valor da diária, mas era algo em torno de R$ 500,00, o que pra gente não era nem um pouco convidativo. Almoçamos no hotel, num restaurante também lindíssimo e caro, mas fomos procurar outra opção pra passar a noite.

Como já tínhamos lido outros relatos de viagens, sabíamos que os cicloturistas acampavam na sede do parque local (até porque, sendo o único local público, não tem como te expulsarem dali!), ou tentavam acolhida na casa de um dos moradores, o que teoricamente é vedado pela empresa…

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Preparando a bóia da noite.

Andamos pelo vilarejo observando a rotina e conversando aqui e ali, localizamos uma venda, depois fomos a casa de um *senhor fictício que alugaria quartos, mas ele negou a informação. Descobrimos uma senhora que fazia pães, e após comprarmos um pro nosso café da manhã, perguntamos se não haveria algum lugar pra passarmos a noite, pois o hotel era muito caro… bingo! A senhora, de nome e sorriso lindos iria nos acolher nesta noite. Combinamos que chegaríamos às 20h e ainda fomos convidados pra participar de uma churrascada que haveria à noite…

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Depois de jantarmos, aguardamos a hora de nossa entrada na estadia. Desde que chegamos à Peulla, um fato curioso aconteceu. Uma cachorra toda saltitante, conhecida por todos no local, de nome “Fani” ficou na nossa cola. Era a “perra” dos “carabineros”, nos diziam, e tinha chegado até ali acompanhando outros cicloturistas que vieram no caminho oposto ao nosso. Não entendíamos direito a história naquele momento…

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Quando chegou a hora, fomos até a residência que nos acolheria, ocuparíamos o quarto principal da casa e combinamos R$ 50,00 como pagamento. De 50 pra 500 e a concorrência entre moradores e hotel nos pareceu óbvia. No capitalismo é assim, é livre a concorrência desde que apenas um empresário que vive bem longe dali seja o único dono dos dividendos…

Tomamos banhos bemmmm quentinhos e fomos nos sentar à mesa com alguns alegres moradores de Peulla. Soubemos um pouco de suas vidas, seus sonhos de viajar pelo Chile e de vir ao Brasil só pra ver a Copa mesmo… Já havíamos jantado, então aceitamos um pouco do vinho pra nos integrarmos um pouco mais. Foi uma rica experiência.

De Petrohue a Peulla – 21/02/14 (sexta)

Aos pés do Vulcão Osorno

De Las Cascadas a Petrohue

A pedalada deste dia era aos pés do Vulcão Osorno, uma estrada bonita, paisagem deslumbrante.

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A estrada serpenteava a montanha, subindo e descendo. Um pouco mais a frente um presente para nossas rodas, uma bela ciclovia.

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Para onde olhávamos havia uma bela pintura.

DSC_1202No caminho estava um dos pontos turísticos mais visitados do Chile, os Saltos de Petrohué.

Rio Petrohué

Rio Petrohué

Os Saltos del Petrohué fazem parte do Parque Nacional Vicente Pérez Rosáles. É um dos mais antigos do Chile, criado em 17 de Agosto de 1962. Possui superfície de aproximadamente 254 mil hectares e localiza-se quase todo na Província de Llanquihue, exceto por uma parte na Província de Osorno.

Amarramos nossas bikes, pagamos a entrada e fomos.

A água é verde esmeralda

A água é verde esmeralda

As águas de degelo tem uma cor impressionante.

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O parque tem uma ótima estrutura, com muitas passarelas por sobre as águas, mas era preciso paciência para disputar os melhores ângulos para as fotos.

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As rochas vulcânicas formaram tuneis por onde a água cristalina corre.

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A gente sempre que possível evita esses pontos turísticos comercializados, detestamos essa mercantilização da natureza e das pessoas.

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Mas sempre constatamos que os pontos turísticos tradicionais não são tradicionais por acaso. São locais de uma beleza acima da média.

Vulcão Osorno e sua água de degelo

Vulcão Osorno e sua água de degelo

Na saída do parque encontramos nossas bicicletas que ficaram amarradas no estacionamento com todas as nossas coisas.

Lá no Parque encontramos com aquele pessoal de ônibus que acampou junto conosco na última parada, naquele camping abandonado.

Continuamos nosso pedal até chegar ao Porto de Petrohué.

Porto de Petrohué

Porto de Petrohué

Nesse ponto da viagem precisávamos fazer um tour de barco, por três lagos, precisávamos comprar as passagens no fim da tarde e sair pela manhã.

O preço em dólar torna aquilo um turismo pra rico. A Cruce Andino é uma empresa sediada em Puerto Varas, na Patagônia Chilena, que realiza a travessia dos lagos andinos entre Puerto Varas, no Chile, e Bariloche, na Argentina. A viagem é composta de várias etapas, iniciando em um ônibus em Puerto Varas, trocando-se para um catamarã em Petrohué, para se cruzar o Lago Todos Los Santos até Peulla. Novamente um ônibus até Puerto Frias, já na Argentina. De lá outro barco até Puerto Alegre, onde pega-se mais um ônibus até Puerto Bles e um novo barco até Puerto Pañuelo onde finalmente um último ônibus leva até Bariloche.

Nossa viagem iria começar só amanhã, para hoje precisávamos achar um lugar para dormir. Haviam dois campings, um do outro lado do rio, um barco nos levaria até lá e traria de volta pela manhã. Outro deste lado mesmo, que no caso, foi nossa escolha. Era um camping enorme.

DSC_1221Andamos com nossas bikes procurando um canto pra acampar. Encontramos dois homens em volta de uma churrasqueira que fizeram questão que ficássemos ali perto. Um deles era o Jorginho, brincalhão e falador, os dois estavam com suas famílias em um motor home.

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A neta de Jorginho se chamava Taila e grudou na Aninha.

Ana Célia e Taila

Ana Célia e Taila

Ficamos bem instalados ali próximo.

Nossas belas instalações

Nossas belas instalações

Fomos dar uma volta na praia e ao olhar pra cima vimos que dormiríamos de frente ao lago e aos pés do Osorno.

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DSC_1228Depois fomos tomar um banho, que pra variar não era dos mais quentes, fizemos um macarrãozinho, tomamos um pouco de vinho de nossos amigos chilenos e dormimos tranquilos.

Nesse dia pedalamos 37,81 km em 3h30m.

De nuevo…

Era dia de folga, merecido, depois de tanta pedreira. Nossa cabana era confortável, de madeira, com aquecedor a lenha. Os senhorios atenciosos (as). Alguns cães que ficavam próximos a nossa porta, protegiam o território.

Cabanã em Entre Lagos

Cabanã em Entre Lagos

Acordamos tarde, tomamos café e saímos caminhando para conhecer a pequena Entre Lagos. DSC_1132 DSC_1134 Passeamos pelo grande lago com uma praça bem bonita, com muitos brinquedos para as crianças. DSC_1144 Quando ficamos com fome procuramos por um restaurante, ao entrarmos encontramos com amigos do camping de Pucon, era o Vicente e seu pai, viajando sozinhos de cidade em cidade. Nos sentamos próximos e comemos uma bela refeição. Ficamos conversando um pouco com os dois, depois fomos andar mais um bocadinho. DSC_1138 Mais tarde, na praça, encontramos novamente com a dupla e Vicente soltou um espontâneo “de nuevo” que nos ofereceu boas risadas. DSC_1139 Mais tarde fui conhecer o mercado local e comprei um bom vinho chileno, além de nossos itens para o próximo dia de viagem.

23º dia de viagem, 18/02/2014.

Entre Lagos e Montanhas

Saímos da Baia Coique em direção a Lago Ranco, era um domingo e os dois locais são muito turísticos, muita gente aproveitando o verão nos lagos gelados do Chile.

O início do trajeto era por um asfalto liso, beirando os lagos, em meio muitos bosques e lindas paisagens verdes e vivas.

DSC_1102Os lagos eram enormes e ao fundo as cordilheiras faziam o horizonte.

DSC_1105A estrada ia ficando pra trás e agora pedalávamos em estradas de rípio, com muita pedra e poeira.

Pegamos uma pequena balsa para atravessar o lago, ela era puxada quase que a mão pelos balseiros, passavam só dois carros por vez e a fila para passar era enorme.

DSC_1106Pegamos um trecho difícil em meio obras e pedras, depois fomos entrando em um bosque cheio de verde.

DSC_1110A cidade era pequena, cheia de turistas, fomos ver um camping em um terreno vazio, era mais uma ocupação que um camping, achamos melhor não.

Ana Célia saiu a pé procurando um lugar para ficar, enquanto fiquei ali deitado naquele gramado verde e macio, cuidando das bikes.

DSC_1109Uma coisa que nos acompanhou nessa viagem foram aquelas florzinhas brancas que chamamos de dente-de-leão, só que ali no Chile eram maiores e chamávamos de avatar, nesse tempo que fiquei ali esperando uma delas voou por perto e tentei fotografá-la, no fim guardei uma na bolsa de guidão para registrar.

Ana voltou com alguns locais para ficarmos, escolhemos uma cabanã em frente a avenida e em frente ao lago, nos hospedamos e fomos saborear a lagoa gelada.

DSC_1112O que era difícil era andar nessas pedras, machucavam muito os pés, muitas pessoas tinham até uma sapatilha de entrar no mar, ficamos com vontade de comprar uma também.

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Passamos boas horas olhando para aquelas águas e aquelas cordilheiras…

DSC_1119Esse foi o 21 dia, pedalamos 40 km, velocidade média de 9,6 km/h, a velocidade máxima foi de 34,2, o tempo pedalado de 4h09m.

Até de baixo d`água!

Enquanto arrumávamos nossas malas pra partir, recebemos visita.

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Ela brasileira, ele chileno, estão dividindo a vida entre lá e cá e querendo estabelecer um restaurante em Los Lagos, vieram conhecer @s brasileir@s que estavam passando por ali.

Partimos em direção à Futrono/ Baía Coique, teríamos uma subidinha pela frente mas a quilometragem seria curta. Este foi o dia de paisagem mais monótona, coisa rara nessa viagem. Não tinha nada de interessante pra ver era só pedalar e pedalar mesmo, num retão danado. No início da manhã ainda tínhamos bastante frescor, mas com a passagem das horas o dia esquentou bastante, nada que um pontinho de ônibus mais que demais não pudesse resolver.

Sombra para o primeiro lanche do dia!

Sombra para o primeiro lanche do dia!

É retão que não acabava mais...

É retão que não acabava mais…

Perto do meio dia o sol já estava quente.

Perto do meio dia o sol já estava quente.

Mais um dia de almoço no ponto de ônibus!

Mais um dia de almoço no ponto de ônibus!

Felizmente, chegando ao destino, tudo ficou lindo de novo. Fomos nos aproximando do lago que o sábado tinha deixado cheio de gente. Chegamos na entrada do camping e NÃO TINHA VAGAS!!! Como assim não tem vaga no camping???? Ah esses brasileir@s mal acostumados e mal criados!!! Não ter vaga em camping é algo inadmissível pra mim… a primeira argumentação básica é sempre o “mas estamos de bicicleta”! E o que as pessoas podem fazer se nós é que tomamos essa decisão???

Enfim, a choradeira comoveu… e afinal descobrimos o que significava o “não ter vagas”. É que o magnífico camping disponibilizava um banheiro PARTICULAR pra cada grupo… isso mesmo. No camping tínhamos a chave do nosso próprio banheiro, e nada pode ser mais luxuoso que um banheiro próprio no camping… rsrs. Nos ajeitaram numa parcela menor que a dos demais, que não caberia um carro, mas tudo bem! Afinal, estávamos de bicicleta!

Nos arrumamos rapidinho no local e fomos praiar! Eita delícia que estava aquele lago gelado! Deu até dar um tibum com categoria, só não dava pra ficar muito na água pra não correr o risco de congelar… mas era só ficar um pouquinho no sol que tudo se resolvia de novo.

Vamos a la playa!

Vamos a la playa!

Ah! O verão!

Ah! O verão!

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Sorriso gelado!

Sorriso gelado!

Que relaxante que é entrar na água gelada. Que delícia de pernoite tivemos neste local…

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Dia 20 – De Los Lagos a Baia Coique – 15/02/14 (Sábado)

Pedal:

Distância – 54 Km

Velocidade Média – 11,6 Km/h

Velocidade Máxima – 37,1 Km/h

Tempo – 4 h 38 min

Total – 631,7 Km

De volta a estrada…

Saímos da pequena Panguipuli em direção à Los Lagos, o Sol estava quente e o pedal ia ser longo. DSC_1061Pegamos a longa estrada que foi nos levando pelas belas paisagens chilenas. Mas, fantástico mesmo eram esses pontos de ônibus, dava pra morar neles. DSC_1062Muitos bosques, muitas árvores, um bom asfalto, poucos carros, tudo propício, apenas o calor do sol que não estava fácil, fora as subidas e descidas constantes. DSC_1064Chegamos a pequena cidade, passamos por uma corredeira que o pessoal usava como praia. DSC_1071Logo na entrada vimos uma placa de “Cabanâs”, entramos pela estradinha de terra e fomos descendo, chegamos no local, mas não tinha vagas. Voltamos pra estrada da cidade, passamos por uma pousada, Ana entrou para perguntar o preço, tinha dois quartos: um com banheiro e beliche, outro com cama de casal, mas sem banheiro. Mas, o preço era um pouco alto, passamos por outras pensões e fomos parar na praça central. Era “dia dos namorados” (ou algo parecido com isso…), a praça estava sendo preparada para uma festa e ia ter um show. Fomos até o centro de turismo perguntar se havia algum camping próximo, o rapaz nos orientou de um camping com piscina e tudo mais. Fomos pra lá nos arrastando pela estrada, mas ao chegar na saída para o camping vimos uma estrada de terra bem difícil. Pensando bem queríamos só passar a noite, não íamos ficar mais um dia no camping, era só uma noite, 4 km pra ir e mais 4 pra voltar à estrada, deixamos pra lá… Vimos a cervejaria Sanka (ou um outro nome parecido) em que Cesar e Regina ficaram em sua viajem que tanto nos inspirou pra estarmos aqui, a saída da estrada de terra para o camping era em frente à cervejaria. Voltamos pra cidade, pra primeira pensão que vimos, ficamos no quarto com beliche e banheiro. Era uma construção toda em madeira, parecia que o próprio dono havia pregado aquelas madeiras. Guardamos nossas coisas, tomamos um banho e fomos procurar um restaurante. DSC_1069Achamos um restaurante grande, com várias TVs espalhadas, estava passando algum jogo importante do campeonato chileno de futebol, em que todos estavam muito atentos. Já noite ficamos um pouco na festa, uma espécie de quermesse com muitas barracas comunitárias. O show demorou muito pra começar e achamos melhor ir dormir. Resumo do dia: Distância: 71,19 km Velocidade média: 12,8 km/h Velocidade máxima: 36,9 km/h Tempo de pedal: 5h31m Total pedalado: 577,7 km

17º dia de viagem

De Púcon à Licanray

Saímos do Pucón depois de 4 dias, acabamos atrasando um pouco a viagem, mas valeu pela diversidade de experiências, deixamos a bela cidade pra trás e seguimos em frente, era bom estar pedalando de novo, em nosso planejamento o objetivo era ir de Pucon a Villarica e de lá até Panguipuli, mas como já havíamos subido o Vulcão resolvemos pular a cidade de Villarica e ir até Licanray, mas no caminho resolvemos tentar um atalho fora da estrada principal, para sair do meio dos carros e acabamos pegando umas estradinhas de rípio.

Do rípio já falamos, parece ser assim, eles tem muita pedra no Chile, então nas estradas de terra eles passam com um caminhão e despejam pedras, não sei se para os carros é bom, talvez no inverno, com tudo cheio neve, mas para nós de bike é um sofrimento. Temos que ir devagar, prestando atenção em cada pedra, desviando, por várias vezes derrapamos e quase caímos.

Fomos tentando achar o caminho e acabamos fazendo algumas idas e vindas, voltamos pra pista chegando em Licanray cansadxs e estressadxs, acabamos pedalando 61 km, numa velocidade média de 9,5 km/h, demorando 6h28.

Fomos em direção a praia, encontramos um hotel que tinha um javali empalhado na entrada, entramos pensando em comer, mas o cozinheiro só chegava de noite, perguntamos se podíamos ficar por ali na internet até o cozinheiro chegar, achamos o preço caro para ficar hospedados, mas aproveitamos o Wifi.

Praia de Lican Ray

Praia de Licanray

Uma praia bonita, demos uma volta vendo as pessoas curtindo o lago.

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As informações que tínhamos era de um Camping na entrada da cidade, mas conversando com um atendente, ele nos disse que havia um Camping bem próximo dali, isso nos animou, o cozinheiro chegou e acabamos finalmente jantando.

Anoitecia

Anoitecia

Pedalamos procurando o local, chegamos na praia grande e não achamos, perguntamos para uma moçadinha que passava, um dos meninos correu até a praia atrás de um homem que passava correndo, ele veio e nos orientou a voltar que já havíamos passado por ele. Voltamos e achamos o local, um Camping de uma comunidade religiosa, a moça que nos atendeu disse que era só para os fieis da comunidade, mas que abria uma exceção para nós (infiéis), falou que a água quente já estava desligada, mas ligava para nós (infiéis), mas nos deu um preço tão alto que nos arrependemos de não ficar no hotel. Foi o Camping mais caro da viagem, ficamos logo na entrada do Camping, na primeira área, tomamos banho quente e fomos dormir na maior ventania.