Paraguai à Dentro…

Banderola só aguardando...

Estamos planejando conhecer o Paraguai agora em janeiro. Depois de conhecermos o Uruguai, ficamos com muita vontade de conhecer melhor a América Latina, e até tratei de retratar uma falha imensa em minha formação e li “As veias abertas da América Latina“, do Uruguaio Eduardo Galeano. É daqueles livros que te deixam com dor de estômago, mas quem nasce por essas bandas deveria receber um exemplar acompanhado da certidão de nascimento. Evitaria tantas outras dores, futuras e presentes…

Pra ser sincera, o Paraguai não estava em nosso itinerante até o livro. Nosso conceito sobre o país melhorou bastante. O mesmo não nos parece mais ser uma “25 de Março/ Santa Efigênia” ampliada. Tem uma bela história de resistência frente à colonização, e figuram como personagem principal em um dos episódios mais sangrentos do cone sul americano: a guerra da “Tríplice Aliança”, quando Argentina, Brasil e Uruguai, financiados pela Inglaterra, fizeram por onde dobrar essa resistência.

O Paraguai é um dos países mais pobres da região e um dos dois, junto à Bolívia, que não tem acesso ao mar… Que fazer lá então, em pleno janeirão??? Nossa pretenção é seguir de Foz do Iguaçu até Asunción. As Cataratas servem de desculpa pra qualquer viagem. Eu já as conheço de uma outra ocasião, mas o Flávio não.

Para além das belezas naturais, há sempre histórias a se conhecer, e pessoas por trás delas. Talvez, como prova de sua histórica resistência, o Paraguai é um dos poucos países que tem, como língua oficial, sua língua originária, o Guarani, além do Espanhol é claro, que pode facilitar um pouco nossa comunicação por lá.

E foi pensando em conhecer histórias que, após visitarmos a exposição fotográfica “Mil Mulheres de Paz no Mundo“, ficamos olhando pra todos aqueles rostos, de todas as partes do mundo, e pensando como seria bom conhecer aquelas histórias mais de perto.

"Exposição Mil Mulheres pela Paz no Mundo", em São Bernardo do Campo, SP

A história dessa exposição é, no mínino, interessante. Em 2005, uma organização da Suiça lançou uma “provocação” aos organizadores do Prêmio Nobel da Paz, simplesmente porque, ao longo de mais de 100 anos do prêmio, é irrisório o número de mulheres que o receberam. E mais, se pôs a discutir um novo conceito de paz, que se faz não só pela ausência de guerras, mas por uma construção diária de justiça, afeto, igualdade, cuidado e superação de uma sociedade desigual, especialmente marcada pelo machismo. Essa figura de paz parece muito mais com o conceito Junguiano do Feminino, que pode estar presente na ação de mulheres e homens na construção de um outro mundo possível.

Foi uma indicação coletiva de 1000 mulheres de todo o Glogo, que entrelaçou histórias e vidas. Não ganharam o Prêmio, por fim. Mas conseguiram unir forças em torno de uma ação coletiva mundial na construção da paz, que só será possível com a superação, entre outras coisas, desta sociedade machista.

Foram 4 as mulheres Paraguaias indicadas ao Prêmio Nobel da Paz. Como todas são engajadas na “contrução da paz”, pensamos em conhecer, se possível, ao menos um pouco sobre o trabalho que realizam e de quebra, um pouco sobre a história recente do Paraguai.

Até pouco tempo atrás, havia um campo no site da organização que permitia que lhes enviássemos uma mensagem, mas por ordem do destino, o mesmo veio a falhar por esses dias e não foi possível fazer isso. De todo modo, esperamos encontrar muitas pessoas de Paz nas também hermanas, terras do Paraguai… 

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Desinstitucionalizando…

Amanhã é meu primeiro dia de férias após 2 anos de trabalho. Acho que na verdade são minhas primeiras férias, pois não me lembro de nenhuma em que não estivesse na faculdade ou tivesse dinheiro pra viajar, como naquelas férias forçadas quando estamos desempregad@s e o tempo parece não nos valer de nada…

Se estar desempregada é péssimo, trabalhar também não é lá a oitava maravilha do mundo. Me lembro de uma vez ter folheado um livro que falava sobre manicômios, conventos e prisões e o que essa vida institucionalizada faz com as pessoas. Embora eu e a grande maioria não vivamos nesses locais, nossa vida também é bastante institucionalizada. Têm-se que levantar em determinado horário, pegar a condução em outro, bater cartão, fazer as tarefas diárias, almoçar em tal hora, voltar pra casa, quem sabe algum atrativo cultural (novela?), e se preparar pra começar tudo de novo.

Mesmo nas horas de folga não estamos lá tão à vontade, pois em fim o momento de estarmos com familiares e amigos e quem sabe pegar uma prainha também é pré determinado e comum à tod@s, fazendo Natal e Ano Novo, por exemplo, se tornarem também datas bastante corridas… 

Essa vida moderna fez de mim uma pessoa ansiosa, sempre com um calendário, um horário, uma atividade a seguir. Até arrumando as malas estou cá com meus botões e uma lista infinita de coisas a separar, arrumar, planejar… De certa forma acho que não dá pra fugir de algumas coisas, mas a bicicleta tem me ensinado muitas delas.

Primeiro que sim, é preciso ter organização, um certo preparo e se pensar ao menos um pouquinho no que se pretende fazer, ainda mais se tratando de uma viagem internacional. “E tú? No hablas español?” Vou sentir saudade de cada lição que eu não fiz…rsrs

Segundo que, a bicicleta, assim como a vida, é uma coisa “simples”. É só pedalar e a lei da gravidade faz o resto. Assim como pra se viver, precisamos de alimentação, proteção, ter saúde, sentir o corpo e suas necessidades. Precisa-se respirar e transpirar.

Terceiro (de uma lista que poderia ser bem mais grandinha), é preciso desacelerar. Desacelarar pra ouvir as batidas do coração e calar um pouco um tanto de motores. Ouvir o vento, a chuva, o mar. Sentir o calor do sol, o sabor do alimento e saber de sua necessidade e pra quê. Desacelerar essa galera maluca chamada humana que pensa que correndo tanto muda alguma coisa na vida, mas deixa de observar as 24 horinhas que impreterivelmente nossa casa vai levar pra dar uma volta no sol.

E lá vamos nós tentar aprender mais um pouco com essas tais bicicletas sobre um mundo sem fronteiras…

Banderolas Brasil e Uruguai

As bandeirinhas comprei numa loja de motos em São Paulo, numa rua que já esqueci o nome mas que só tem loja de motos…rsrs

Fazendo as malas…

O mais difícil de viajar de bike é que você vai carregar cada coisa que decidir levar… não há um porta-malas… um local onde se pode colocar várias roupas, livros, lembranças… nada. Cada coisa vai lhe custar alguns quilos a mais de pedal. E como não levar alguns itens fundamentais: um bom livro pra uma tarde a beira mar; um DVD ou dois: O Poder do Mito (pra uma dia desanimado), Tudo bem no ano que vem (pra rir e chorar); e os DVDs de músicas: Osvaldo Montenegro, Tim Maia, Jorge Bem… nada…

Vamos ver… uma barraca, 2 sacos de dormir, 2 isolantes térmicos, 2 travesseiros, panelas de camping, comida, remédios, roupas, fora as peças sobressalentes, pneu, câmara, pastilhas… (pausa para um suspiro). Depois colocar tudo isso em alguns alforges… ah… não esqueça meu pendrive, e tudo que há nele… o netbook… GPS… e meu virgem passaporte… por pouco tempo.

Enquanto escrevo, Ana Célia está lá em cima arrumando as suas malas, espalhando aquele monte de coisas pelo chão… nossas bikes estão com o Douglas, nosso personal-bikers, fazendo revisão, os últimos detalhes… vai ser nosso maior pedal… e mais longo… cerca de 900 quilometros… cerca de 20 dias….

Vamos voar até Buenos Aires, com a bike despachada de pneus vazios e sem gás de camping na bagagem… montar tudo… pedalar e conhecer o que der e vier… até o Uruguai… pegar a costa e vir até o Brasil, conhecer o Chuy e o Chuí… bem… vou arrumar algumas bagagens…